POLÍTICA

Girão critica parlamentares pelo fim da CPMI do INSS

Senador Eduardo Girão lamenta encerramento da comissão que investigava fraudes em benefícios e aponta falta de compromisso dos parlamentares.

Publicado em 31/03/2026 às 17:03
General Girão Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou, em pronunciamento no Plenário nesta terça-feira (31), a atuação de deputados federais e senadores no processo que levou ao encerramento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A comissão investigou um esquema de descontos fraudulentos em benefícios de aposentados e pensionistas. Para Girão, faltou compromissos para manter os trabalhos da comissão.

— Por 19 votos a 12, vimos o golpe de misericórdia para acabar com a CPMI, sem relatório! O mais triste foi ver a comemoração de parte desses 19, que não teve vergonha de celebrar o encerramento de uma investigação exitosa. Isso demonstra o zero compromisso dessas pessoas com o povo brasileiro. Foi ignorado um dos relatórios mais sólidos e consistentes, com quase 5 mil páginas, no qual o relator, o deputado federal Alfredo Gaspar, pediu o indiciamento de 216 pessoas, entre empresários, funcionários e políticos envolvidos nas fraudes — afirmou Girão.

O senador também questionou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a liminar do ministro André Mendonça, responsável por autorizar a prorrogação dos trabalhos da comissão. Segundo Girão, o encerramento da CPMI sem a aprovação do relatório final impediu a responsabilização dos planos propostos ao longo das investigações. Ele destacou ainda que a forma como a comissão foi encerrada reforça a sensação de impunidade em casos de corrupção no país, e defendeu a continuidade das apurações por meio de uma nova comissão.

— Oito ministros do STF decidiram derrubar a CPMI, isolando André Mendonça com o argumento falacioso de prevalecer a autonomia do Congresso (...). Mais uma vez ficou reforçada a percepção de que, no Brasil, poderosos esquemas de corrupção resultaram em punições efetivas, perpetuando um ciclo vicioso de impunidade. A mensagem para o mundo é que, no Brasil, o crime do colarinho branco compensa — protestou o senador.