HOMENAGEM

Senado entrega Diploma Bertha Lutz a 15 personalidades

Publicado em 31/03/2026 às 16:11
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Senado homenageou 15 pessoas nesta terça-feira (31) com a entrega do Diploma Bertha Lutz — prêmio concedido anualmente a quem contribuiu para a defesa dos direitos da mulher e das questões de gênero no país.

A entrega do diploma acontece sempre em março, durante as celebrações do Mês da Mulher. Confira na tabela abaixo quem foi agraciado com a honraria.

A senadora Augusta Brito (PT-CE), que concedeu a cerimônia, declarou que as pessoas homenageadas — 14 mulheres e um homem — “têm papel fundamental na luta pelos direitos das mulheres”.

— Essa é uma das mais importantes honrarias desta Casa. Ela não celebra apenas biografias; ela regularmente histórias que ajudaram a mudar o Brasil. Carregar o nome dela [Bertha Lutz] é manter esse compromisso com a transformação. E todas as personalidades homenageadas realmente têm todos os pré-requisitos para isso e estão aqui porque merecem — salientou Augusta.

Bertha Lutz (1894-1976) foi uma bióloga, defensora da política brasileira que se destacou por seu ativismo feminista — ela foi uma das pioneiras na luta pelo voto das mulheres no Brasil.

Durante a cerimônia, a senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) afirmou que as pessoas homenageadas fazem a diferença todos os dias e ajudam a transformar a realidade “com coragem, sensibilidade e compromisso com a justiça social”.

— Ver o reconhecimento dessas trajetórias e o impacto que geram na sociedade é motivo de orgulho e, acima de tudo, de esperança — frisou ela.

Ao alertar para o aumento dos casos de agressão contra as mulheres, inclusive para a violência política de gênero, a senadora Soraya Tronicke (Podemos-MS) disse nunca ter sido tão necessária quanto agora o comprometimento de todos — inclusive dos homens — em favor das causas femininas.

— Destaco aqui a importância da união dos homens conosco (...), da união da sociedade civil. (...) Não é um assunto “de mulherzinha”. Não é “mi-mi-mi”. Essa é uma questão de direitos humanos — ressaltou Soraya.

Também participaram da solenidade as senadoras Daniella Ribeiro (PP-PB), Damares Alves (Republicanos-DF), Dra. Eudócia (PL-AL), Jussara Lima (PSD-PI), Leila Barros (PDT-DF), Roberta Acioly (Republicanos-RR), Teresa Leitão (PT-PE) e Zenaide Maia (PSD-RN) —além do senador Esperidião Amin (PP-SC), que representou a senadora Ivete da Silveira (MDB-SC) no evento.

Bertha Lutz

O Diploma Bertha Lutz é entregue pelo Senado anualmente, em sessão convocada exclusivamente para a entrega do prêmio. A cerimônia foi realizada em março — que, além de ser o Mês da Mulher, é o mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher (8 de março).

O nome do prêmio é uma homenagem à bióloga e advogada paulista Bertha Maria Julia Lutz, considerada uma das figuras mais significativas do feminismo e da educação no país.

Nascida em 1894, na cidade de São Paulo, Bertha Lutz foi aprovada em concurso público para a carga de pesquisadora e professora do Museu Nacional em 1919 — ela é considerada a segunda brasileira a fazer parte do serviço público no país.

Uma das principais bandeiras de Bertha Lutz foi a defesa dos direitos políticos das mulheres. Em 1922, Bertha fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Em 1934, ela foi eleita suplente de deputado federal — cargo que veio a assumir em 1936.

Bertha Lutz morreu em 1976, na cidade do Rio de Janeiro.

Bancada feminina e procuradora

Ao reiterar a importância do Diploma Bertha Lutz, a senadora Teresa Leitão destacou que há uma unidade entre os parlamentares “quando se trata de assunto de mulher”.

A senadora acrescentou que o compromisso da Bancada Feminina no Senado e da Procuradoria da Mulher da Casa resulta em “um trabalho de unidade, independente de partidos políticos e polarizações”.

— O Senado concede vários prémios, em várias situações e com diversas motivações. Mas este, sempre concedido no mês de março, é um marco e representa uma luta histórica das mulheres pelos direitos de votar e de serem votadas, por exemplo — sublinhou Teresa.

Homenageadas

Uma das homenageadas neste ano, a médica Carla Góes discursou em nome das 15 pessoas agraciadas com o prêmio. Ela disse que a honraria não é um mérito pessoal, mas uma homenagem à resiliência e à história das mulheres que mudaram os rumores do Brasil ao longo do tempo.

— Este momento vai além de nossas conquistas pessoais porque ele nos conecta às gerações que abriram caminhos para nós, enfrentando desigualdades estruturais. Foram gerações de filhas, mães e avós que, em seus corpos e vivências, sustentaram as lutas por direitos que hoje usufrutamos — declarou Carla.

Também esteve entre as homenageadas a atriz Laura Cardoso, que foi indicada pela senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), presidente do Conselho do Diploma Bertha Lutz.

Dorinha lembrou que Laura Cardoso é um dos principais nomes da dramaturgia nacional e recebeu prêmios como o Troféu APCA, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte. A senadora também ressaltou que a atriz contribuiu para a ampliação do espaço das mulheres na produção cultural nacional.






Homenageadas (por ordem alfabética)





Carla Góes





Médica, autora, fundadora do instituto Um Novo Olhar e cofundadora do primeiro ambulatório voltado à saúde mental de mulheres vítimas de violência e seus filhos





Indicada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF)





Carla Stephanini





Coordenadora estadual da Casa da Mulher Brasileira no Mato Grosso do Sul. Foi vereadora em Campo Grande, de 2013 a 2016, e deputada federal em 2019





Indicada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS)





Celina Guimarães Viana (in memoriam)





Primeira mulher a votar legalmente no país e na América Latina. Professora primária, impedida pela ampliação dos direitos políticos das mulheres





Indicada pela senadora Zenaide Maia (PSD-RN)





Graça Amorim





Primeira desembargadora oriunda do Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). Atualmente compõe a 3ª Câmara Criminal do TJMA, preside o Núcleo Estadual de Justiça Restaurativa e coordena o Comitê de Atenção a Pessoas em Situação de Rua





Indicada pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA)





Heleno Torres





Professor Titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), tem se destacado por atuar no enfrentamento à violência contra a mulher





Indicado pela senadora Daniella Ribeiro (PP-PB)





Ivani Perone Boscolo





Empresária, secretária nacional do PSD Mulher, vice-presidente da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB) e do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC/ACSP), além de diretora administrativa da Fundação Oswaldo Ramos (Hospital do Rim)





Indicada pela senadora Mara Gabrili (PSD-SP)





Laura Cardoso





Com mais de seis décadas de atuação no teatro, no cinema e na televisão, a atriz é um dos principais nomes da dramaturgia nacional





Indicada pela senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO)





Lia de Itamaracá





Cantora, compositora e mestra da cultura popular pernambucana, reconhecida como a maior cirandeira do Brasil





Indicada pela senadora Teresa Leitão (PT-PE)





Maria Erotides Kneip





Ex-vice-presidente e corregedora do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT). Atualmente, é coordenadora estadual da Mulher em situação de risco no âmbito do Poder Judiciário (Cemulher), além de ouvidora da Mulher





Indicada pela senadora Margareth Buzetti (PP-MT)





Margi Loyola





Empresária e administradora, diretora-presidente da Companhia Fabril Lepper e primeira mulher presidente da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ). Integra o Conselho Nacional da Mulher Empresária e o Conselho Estratégico do LIDE Mulher, além de presidir o Lar Abdon Batista





Indicada pela senadora Ivete da Silveira (MDB-SC)





Raquel Branquinho





Procuradora regional da República, coordenadora do Grupo de Trabalho de prevenção e combate à violência política de gênero da Procuradoria-Geral Eleitoral





Indicada pela senadora Leila Barros (PDT-DF)





Rejane Dias





Conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Piauí e atual presidente da 1ª Câmara da Corte. Foi deputada estadual do Piauí (2011–2015), deputada federal (2015–2023) e secretária estadual de Educação, Assistência Social e Inclusão da Pessoa com Deficiência





Indicada pela senadora Jussara Lima (PSD-PI)





Socorro França





Secretária dos Direitos Humanos do Ceará, ex-procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do estado e ex-presidente do Grupo Nacional dos Direitos Humanos





Indicada pela senadora Augusta Brito (PT-CE)





Telma Maria de Menezes Toledo Florêncio





Professora Titular da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), representante da Nutrir – Associação de Combate à Desnutrição – e fundadora do Centro de Recuperação e Educação Nutricional (Cren)





Indicada pela senadora Dra. Eudócia (PL-AL)





Viviane Luiza





Secretária de Estado da Cidadania de Mato Grosso do Sul, tem doutorado em Antropologia, com destaque para o fortalecimento de coletivos de mulheres indígenas por meio da arte, da cultura e da valorização de seus saberes tradicionais.





Indicada pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS)