POLÍTICA

CPI do Crime Organizado convoca Ibaneis Rocha e Cláudio Castro após renúncias

Ex-governadores do DF e do RJ são chamados a depor após deixarem cargos para disputar o Senado; comissão busca esclarecer relações com entidades investigadas.

Publicado em 31/03/2026 às 12:28
CPI do Crime Organizado convoca Ibaneis Rocha e Cláudio Castro após renúncias Reprodução

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação dos ex-governadores Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Cláudio Castro (PL-RJ).

Até então, havia entendimento no Supremo Tribunal Federal (STF) de que governadores em exercício não podem ser convocados para depor. Com a renúncia de ambos aos cargos, a comissão adotou nova estratégia e decidiu pela convocação.

Ibaneis Rocha e Cláudio Castro deixaram os mandatos recentemente para concorrer a vagas no Senado nas eleições de outubro. Agora, a convocação obriga ambos a prestar depoimento à CPI, salvo eventual concessão de habeas corpus pelo STF.

Segundo o relator da CPI e autor do requerimento, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o depoimento de Cláudio Castro proporcionará "um panorama macro estratégico inestimável, permitindo investigar as falhas e os gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado".

O objetivo da convocação de Ibaneis Rocha é apurar, "sob a perspectiva institucional e administrativa", as circunstâncias das relações comerciais entre o escritório de advocacia fundado por Ibaneis e entidades investigadas pela Polícia Federal por supostas fraudes e lavagem de dinheiro ligadas ao crime organizado.

Como revelou o Estadão, o escritório de Ibaneis recebeu R$ 85,5 milhões em honorários de fundos ligados ao Banco Master e à gestora Reag, além de R$ 25 milhões da J&F, pouco após liberar um serviço do banco digital do grupo para servidores do Governo do Distrito Federal.

Ambos os ex-governadores já faltaram a convites anteriores da CPI. Cláudio Castro não compareceu a três oitivas marcadas entre fevereiro e março, alegando incompatibilidade de agenda. Ibaneis Rocha também não compareceu às duas convocações feitas no mesmo período.

No início de fevereiro, o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), chegou a manifestar intenção de convocar Ibaneis, mas recuou diante do impedimento legal para governadores em exercício.

Além das novas convocações, a CPI votará pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master; de José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência no governo Bolsonaro; e do fundo Laguz I, administrado pela Reag e investigado no caso Master.

Também foi aprovada a quebra de sigilo bancário e fiscal do fundo Kairós, ligado à Reag, que teria realizado pagamentos de R$ 190 milhões para Zettel, conforme informou o presidente da CPI.