JUDICIÁRIO

Moraes marca para 14 de abril interrogatório de Eduardo Bolsonaro

Audiência será realizada por videoconferência; ex-deputado é acusado de pressionar o STF e teve mandato cassado

Publicado em 31/03/2026 às 10:13
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) © Foto / Rosinei Coutinho / STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou para 14 de abril a audiência de interrogatório do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A sessão ocorrerá por videoconferência, já que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reside atualmente nos Estados Unidos.

Eduardo está nos EUA há cerca de um ano e é acusado de atuar no exterior para pressionar o Judiciário brasileiro às vésperas do julgamento da tentativa de golpe, processo no qual seu pai, Jair Bolsonaro, foi condenado. A defesa do ex-deputado argumenta que suas ações configuram o exercício da liberdade de expressão.

O ex-parlamentar responde no STF pelos crimes de “coação no curso do processo de Justiça, obstrução de investigação de infração penal envolvendo organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito”.

Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo teria atuado em conjunto com o blogueiro Paulo Figueiredo Filho para buscar avaliações dos Estados Unidos contra o Brasil durante o julgamento de Jair Bolsonaro no STF. Para o procurador-geral, eles usaram contatos do governo Donald Trump para "constranger a atuação jurisdicional" do Supremo.

A PGR descreveu a campanha de Eduardo nos EUA como uma "estratégia de sacrifício dos interesses nacionais", com "repercussão altamente deletéria sobre a economia" brasileira, fazendo referência ao aumento de tarifas sobre produtos nacionais em julho do último ano. A acusação sustenta ainda que o ex-deputado tentou "manipular a opinião pública" e incitar o sistema bancário e produtivo do país contra o STF.

Apesar das pressões, Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar o plano de golpe de Estado para tentar se manter no poder após as Eleições de 2022.

Eduardo Bolsonaro, que não voltou ao Brasil desde sua mudança para os EUA, recebeu o mandato de deputado federal cassado em dezembro de 2025 pela Mesa Diretora da Câmara, devido ao excesso de faltas, conforme publicado pelo Estadão.

Além disso, ele é denunciado no processo administrativo da Polícia Federal (PF) que investiga o abandono da carga de escritura na delegacia de Angra dos Reis (RJ), por ausência e faltas injustificadas.