POLÍTICA E SEGURANÇA

PEC da Segurança Pública deve exigir articulação entre órgãos, diz Haddad

Ex-ministro defende cooperação interfederativa e compromisso conjunto no combate ao crime organizado

Publicado em 30/03/2026 às 17:50
Fernando Haddad Renato Araújo/Câmara dos Deputados

O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, manifestou apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, destacando a necessidade de que ela imponha aos órgãos um compromisso de articulação para o enfrentamento ao crime organizado. Segundo Haddad, durante o governo Lula (PT), algumas parcerias não avançaram devido a decisões de governadores.

“Eu torço para que a PEC da Segurança Pública imponha a todos os órgãos de segurança, ou auxiliares, como é o caso da Receita Federal, como é o caso do Coaf, que não são órgãos de segurança, mas são braços auxiliares da Segurança Pública, que eles tenham um compromisso com a articulação das ações do Estado para combater o crime”, afirmou Haddad durante painel no J. Safra Macro Day, evento promovido pelo Banco Safra em São Paulo, nesta segunda-feira, 30.

O ex-ministro ressaltou que o combate à máfia dos combustíveis só foi possível graças à colaboração dos Ministérios Públicos dos Estados de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, além do compartilhamento de informações entre Receita Federal e Polícia Federal.

“Não é possível combater o crime organizado sem essa cooperação interfederativa e entre órgãos, às vezes, da mesma esfera de governo. Então, há muito o que se fazer em Saúde Pública, Segurança Pública, com um pacto federativo”, sustentou.

Haddad também defendeu que temas como saúde pública e segurança não devem ser pautados por disputas partidárias. “Não podemos manter o País em um clima de é PL, é PT, não. Saúde pública não é partido, saúde pública é País”, afirmou.

Ele observou ainda que a parceria entre órgãos não exige proximidade pessoal. “Não precisa sair de braço dado, abraçado na foto, mas a parceria é necessária. Depois tem a disputa para saber quem vai levar a melhor, mas isso não pode ser em si o objeto da disputa. Então essas coisas nós precisamos superar”, completou.

Ao concluir, Haddad defendeu a separação entre políticas de Estado e de governo: “Precisamos voltar para um clima em que você separa o que é política de Estado do que é política de governo”.