Caiado lança pré-candidatura, promete anistia a Bolsonaro e exalta experiência administrativa
Governador de Goiás oficializa pré-candidatura à Presidência pelo PSD, defende anistia ampla e destaca trajetória política.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), oficializou nesta segunda-feira, 30, sua pré-candidatura à Presidência da República. Durante o anúncio, Caiado prometeu anistia para os condenados pelo 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros presos por tentativa de golpe de Estado.
"Meu primeiro ato vai ser a anistia ampla, geral e irrestrita", afirmou o governador.
Em seu discurso, Caiado destacou sua experiência administrativa à frente do governo de Goiás e enfatizou a importância da segurança pública como uma de suas principais bandeiras.
"Não se governa pelo discurso. Se governa pelo exemplo", declarou.
O pré-candidato também relembrou a vitória da direita em 2018 com Bolsonaro, mas ressaltou que o verdadeiro desafio de seu campo político é evitar o retorno do PT ao poder.
"Ganhar do PT é fácil. Difícil é governar para que o PT não seja mais opção", pontuou.
A escolha de Caiado como nome do PSD para a disputa presidencial foi anunciada na sede nacional do partido, no centro de São Paulo, consolidando um movimento que se intensificou após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, da disputa interna.
A definição ocorreu após semanas de articulação nos bastidores, encerrando um processo que opunha Caiado ao governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. A saída de Ratinho Júnior acelerou a reorganização interna e abriu espaço para a consolidação do nome de Caiado como principal opção do partido.
Ratinho Júnior, considerado favorito do presidente da legenda, Gilberto Kassab, desistiu da disputa após avaliar dificuldades políticas e pessoais, incluindo a sucessão no Paraná. Segundo interlocutores, o governador já demonstrava dúvidas desde o final do ano passado, em conversas com Kassab.
Com a desistência do paranaense, dirigentes do PSD passaram a considerar inevitável a candidatura de Caiado, especialmente após sua filiação ao partido em março. De acordo com um integrante da cúpula, não seria possível evitar sua consolidação como candidato.
Entre os fatores que pesaram a favor de Caiado estão sua trajetória política, experiência no Executivo e Legislativo e a defesa de pautas como segurança pública e agronegócio. Integrantes do conselho político do PSD também ressaltam que o governador não pretende disputar outro cargo, como o Senado, e direciona sua movimentação exclusivamente ao Planalto. O próprio Caiado declarou que "não estaria fazendo tudo isso" se não tivesse a intenção de concorrer à Presidência. Para viabilizar o projeto, ele deixou o União Brasil e se filiou ao PSD.
A escolha de Caiado, contudo, não foi unânime. Parte do partido defendia a indicação de Eduardo Leite, visto como alternativa mais alinhada ao centro político e com potencial para atrair eleitores fora da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A antecipação do anúncio ocorre às vésperas do prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral, o que levou o partido a acelerar a definição para evitar prolongar o impasse. A candidatura ainda precisará ser confirmada na convenção partidária, prevista para o meio do ano.
Até lá, o PSD deve intensificar as articulações para a formação da chapa e a busca por alianças. No momento, a tendência é de uma chapa pura, embora Gilberto Kassab já tenha afirmado que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seria um "excelente vice". Zema, no entanto, mantém sua pré-candidatura e nega a possibilidade de compor como vice, inclusive em eventual chapa com Flávio Bolsonaro.