CRISE POLÍTICA NO DF

Ibaneis deixa governo do DF para disputar o Senado em meio à crise do BRB e do Banco Master

Saída de Ibaneis ocorre durante turbulência financeira envolvendo o BRB e investigações sobre operações com o Banco Master.

Publicado em 30/03/2026 às 16:57
Ibaneis deixa governo do DF para disputar o Senado em meio à crise do BRB e do Banco Master Reprodução

Ibaneis Rocha (MDB) deixou o governo do Distrito Federal nesta segunda-feira, 30, para oficializar sua pré-candidatura ao Senado Federal. O comando do Executivo foi transferido para a vice-governadora Celina Leão (PP) , que tomou posse em cerimônia realizada na Câmara Legislativa do DF, em Brasília.

A saída de Ibaneis ocorre em meio à crise que atinge o Banco de Brasília (BRB) , instituição que enfrenta dificuldades após a compra de créditos considerados "podres" do Banco Master , de Daniel Vorcaro.

O BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master. No entanto, o Banco Central concordou posteriormente que esses ativos não possuíam lastro, agravando a situação financeira do banco público.

Segundo revelou o Estadão, o governo do Distrito Federal iniciou o ano sem recursos na caixa para quitar despesas do exercício anterior, além de registrar aumento de gastos e endividamento.

No último dia 24, o Ibaneis solicitou um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reforçar o BRB e cobrir os prejuízos. Como garantia, imóveis oferecidos do Distrito Federal e ações de empresas.

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, após investigações da Polícia Federal sobre fraudes na instituição, incluindo suspeitas de manipulação de balanços e operações financeiras irregulares relacionadas ao BRB. O banqueiro voltou a ser detido no início deste mês.

Em março de 2025, Ibaneis chegou a apresentar uma proposta para adquirir o Banco Master, mas o Banco Central vetou a operação em setembro, após encontrar parceiros de crimes financeiros, especialmente relacionados às carteiras podres vendidas ao BRB.

Com isso, Ibaneis tornou-se peça central no escândalo, sob suspeita de que o BRB tinha conhecimento da aquisição de ativos irregulares, o que sugere possível participação no esquema.

Durante a posse, Celina Leão abordou a situação do BRB, classificando-o como “patrimônio” da população do Distrito Federal. Ela afirmou não ter participado das decisões sobre o banco, mas garantiu que sua gestão não será prejudicada pelas investigações.

“Este governo não será obstáculo e será garantidor de todas as respostas, para que elas venham à luz”, destacou Celina.