CPI do Crime Organizado ouvirá presidente do Coaf nesta quarta-feira
Ricardo Andrade Saadi prestará esclarecimentos sobre o papel do Coaf no combate às organizações criminosas e à lavagem de dinheiro.
O presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Andrade Saadi, será ouvido pela CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira (1º), a partir das 9h. O convite foi feito por meio de requerimentos dos senadores Angelo Coronel (Republicanos-BA), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Eduardo Girão (Novo-CE) (REQ 19/2025, REQ 35/2025 e REQ 52/2025). Saadi vai detalhar aos parlamentares o papel do Coaf no enfrentamento às organizações criminosas.
Entre os temas em pauta estão a detecção e o monitoramento de movimentações financeiras suspeitas, a identificação de empresas de fachada e redes de “laranjas”, a relação entre tráfico, milícias e corrupção, além de um diagnóstico sobre a autonomia e os recursos do órgão. O aprimoramento das ações preventivas do Coaf também será discutido durante a sessão.
O presidente do Coaf deve abordar ainda o uso da rede bancária por organizações criminosas para lavagem de dinheiro, especialmente por meio de empresas de tecnologia conhecidas como fintechs.
Na mesma sessão, será ouvido Leonardo Augusto Furtado Palhares, administrador da empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal. Palhares utiliza tornozeleira eletrônica por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Polícia Federal, ele teria participado de contratos simulados para mascarar pagamentos ilícitos a servidores do Banco Central (BC), investigados pela Operação Compliance Zero.
Lavagem de dinheiro
Palhares foi convocado por requerimento (REQ 240/2026) do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI. Conforme a Polícia Federal, Palhares teria utilizado sua empresa para firmar contratos falsos de prestação de serviços, com o objetivo de disfarçar pagamentos ilegais a funcionários do BC, principalmente a Belline Santana, ex-chefe da área de fiscalização bancária. A suspeita é de que esses servidores recebiam propina para vazar informações sigilosas e auxiliar o Banco Master a burlar a fiscalização do BC.
O senador Alessandro Vieira afirma que os recursos circulavam por diversas empresas para dificultar o rastreamento. O mesmo esquema teria sido empregado para remunerar integrantes do grupo chamado “Turma”, ligado a Vorcaro. O relator da CPI busca esclarecer como o dinheiro transitava pela Varajo Consultoria, de que forma os servidores eram cooptados e se a empresa esteve envolvida em outros esquemas de lavagem de dinheiro.