Gleisi Hoffmann anuncia saída da articulação política do governo para disputar Senado
Ministra deixa Secretaria de Relações Institucionais nesta quarta-feira; Lula deve definir sucessor até o fim da semana.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, confirmou que deixará o comando da articulação política do governo federal na próxima quarta-feira, 1º de abril, para concorrer a uma das vagas ao Senado pelo Paraná. Segundo Gleisi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar o sucessor até o fim desta semana.
"O presidente ainda está definindo, está conversando. Tem essa questão mais política também, as janelas partidárias, e acho que ele vai considerar isso. Até o final da semana ele decide. Se não tiver ninguém, deve ficar alguém interino, talvez o secretário-executivo", declarou Gleisi nesta segunda-feira, 30, durante conversa com jornalistas.
Além de Gleisi, pelo menos outros 18 ministros deverão deixar o governo Lula nesta semana para cumprir o prazo de desincompatibilização, que se encerra no sábado, 4. Nesta terça-feira, 31, o presidente realizará uma reunião ministerial para fazer um balanço do trabalho dos auxiliares que sairão da Esplanada, além de apresentar os novos chefes das massas.
O ministro também afirmou que Lula não deve esperar o fim das eleições para encaminhar ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Gleisi, o presidente avalia o melhor momento, mas não há previsão de reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Disputa presidencial e cenário político
Gleisi comentou ainda a oficialização da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), à Presidência da República, ocorrida na manhã desta segunda-feira. Para a ministra, Caiado é uma figura mais “agressiva” em comparação com outros nomes do PSD que se colocaram como pré-candidatos.
Ela avaliou que a disputa presidencial deve ser polarizada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enquanto Caiado deve permanecer na “periferia” da corrida eleitoral.
"Obviamente que o Caiado é uma figura mais agressiva, eu diria. Eu não sei como vai ser o comportamento da extrema-direita com ele, do agronegócio com ele, com o Flávio, como é que isso vai sopesar. Mas eu acho que, num quadro como nós estamos, de polarização, é muito difícil, seja quem seja, na terceira via, ter um espaço maior", analisou Gleisi.
Tornozeleiras eletrônicas para agressores
O ministro também informou que a expectativa do governo é que Lula sancione sem vetos o projeto de lei que obriga agressores de mulheres a utilizarem tornozeleiras eletrônicas. A proposta, aprovada pelo Senado no último dia 18, é considerada pelo Executivo como parte do programa federal de combate ao feminicídio.