ELEIÇÕES 2026

Caiado é escolhido pelo PSD para disputar a Presidência nas eleições de 2026

Governador de Goiás consolida pré-candidatura após desistência de Ratinho Júnior e disputa interna com Eduardo Leite

Publicado em 30/03/2026 às 10:07
Caiado é escolhido pelo PSD para disputar a Presidência nas eleições de 2026 Reprodução / Instagram

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, foi oficializado pelo PSD como pré-candidato à Presidência da República. O anúncio da pré-candidatura ocorre nesta segunda-feira, 30, em evento na sede do partido, no centro de São Paulo, às 16h. A decisão consolida um movimento que se intensificou após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, na disputa interna.

A escolha de Caiado foi resultado de semanas de articulação nos bastidores e encerra a disputa interna que também envolveu o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Conforme fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, a saída de Ratinho Jr. reorganizou o cenário dentro da legenda, abrindo espaço para a consolidação do nome do governador goiano como favorito.

Ratinho Jr., que foi considerado o preferido do presidente do PSD, Gilberto Kassab, decidiu deixar a disputa após avaliar dificuldades políticas e pessoais, incluindo a condução de sua sucessão no Paraná. Interlocutores relatam que o governador já manifestava dúvidas desde o fim do ano passado, em conversas com Kassab.

Com a saída de Ratinho Jr., dirigentes do PSD passaram a considerar difícil contornar a candidatura de Caiado, especialmente após a sua filiação ao partido, oficializada em março. Uma fonte próxima à cúpula partidária, sob reserva, afirmou que o PSD “não ia conseguir se livrar dele”.

Entre os fatores que pesaram a favor de Caiado estão sua trajetória política, experiência no Executivo e Legislativo e a defesa de pautas ligadas à segurança pública e ao agronegócio. Integrantes do conselho político do partido também destacam que o governador goiano não pretende disputar outra carga, como o Senado, e tem direcionado sua atuação exclusivamente à corrida presidencial. O próprio Caiado afirmou que "não estaria fazendo tudo isso" se não fosse para disputar a Presidência, chegando a trocar de partido — ele era filiado ao União Brasil — para viabilizar sua candidatura.

Ainda assim, a escolha não foi unânime. Parte do partido defendeu o nome de Eduardo Leite, visto como alternativa mais homologada ao centro político e com potencial para atrair participações fora da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na semana passada, Leite elevou o Tom e reforçou seu perfil de centro em contraste com o Caiado. “O PSD vai ter que decidir, afinal, se vai ser um partido que vai defender indulto, anistia, ou se vai ser um partido que vai falar de um Brasil diferente”, afirmou o governador gaúcho na quarta-feira, 25. Leite disse que não pretende disputar outra carga além da Presidência, embora já tenha cogitado o Senado. Seu futuro político permanece indefinido.

Pesquisas internacionais do PSD, como Quaest e Datafolha, apontaram desempenho semelhante entre Caiado e Leite, com ligeira vantagem para o goiano (4% contra 3%). Mesmo assim, Kassab reiterou que os levantamentos não seriam o principal seletivo de escolha.

A antecipação do anúncio ocorre às vésperas do prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral, o que levou o partido a acelerar a definição para evitar prolongar o impasse. A candidatura ainda precisará ser confirmada na convenção partidária, prevista para o meio do ano.

Até lá, o PSD deve intensificar as articulações para a formação da chapa e a busca por alianças. A tendência, por agora, é que a chapa seja pura, mas Kassab já declarou que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seria um "excelente vice". Zema, no entanto, mantém sua pré-candidatura e descarta ser vice, inclusive de Flávio Bolsonaro.