DISCURSO INTERNACIONAL

Nos EUA, Flávio Bolsonaro pede monitoramento e pressão diplomática por eleições justas no Brasil

Durante evento conservador no Texas, senador solicita atenção internacional à liberdade de expressão e ao processo eleitoral brasileiro

Publicado em 28/03/2026 às 19:57
Nos EUA, Flávio Bolsonaro pede monitoramento e pressão diplomática por eleições justas no Brasil Reprodução / Instagram

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu, durante discurso nos Estados Unidos, que os americanos "monitorem a liberdade de expressão" no Brasil e exerçam pressão diplomática para garantir "eleições justas" em outubro, quando ele disputará a Presidência da República.

Flávio discursou neste sábado, 28, para uma plateia de conservadores no CPAC, o mais conhecido evento conservador americano, realizado no Texas.

No evento, o senador acusou o ex-presidente americano Joe Biden, do Partido Democrata, de interferência nas eleições brasileiras de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio de uma "enxurrada de dinheiro" da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

Nos últimos anos, bolsonaristas têm alegado que a agência americana teria interferido no resultado das urnas e financiado a campanha de Lula, mas não há documentos públicos que corroborem essas afirmações. Segundo checagem do Estadão Verifica, os projetos financiados pela USAID no Brasil concentram-se principalmente nas áreas de saúde e educação.

Para Flávio, a vitória de Lula resultou em "outra crise econômica devastadora, uma crise de segurança pública com expansão enorme de cartéis narcoterroristas, e múltiplos escândalos de corrupção envolvendo até membros da própria família do Lula".

O senador afirmou não desejar interferência nas eleições brasileiras "como o governo Biden fez para trazer Lula ao poder", mas solicitou que os Estados Unidos e outros países "observem a eleição do Brasil com enorme atenção".

"Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo. E apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamente", declarou.

O discurso de Flávio reforça a narrativa, comum entre bolsonaristas, de que as eleições de 2022 teriam sido fraudadas. Até o momento, não há provas que sustentem essa acusação, nem mesmo no relatório das Forças Armadas, que fiscalizaram as urnas eletrônicas a pedido do governo Bolsonaro.

"Em vez da administração Biden interferir em nossas eleições para instalar um socialista que odeia a América, aplicar pressão diplomática por eleições livres e justas baseadas em valores de origem americana — essa é uma boa mudança de política externa para a região, não é?", questionou o senador.

Flávio também afirmou que seu pai, Jair Bolsonaro, sofre perseguição judicial semelhante à que Donald Trump teria enfrentado nos Estados Unidos. Ele sugeriu que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) trabalharam para devolver Lula ao poder, insinuando uma conspiração contra a direita.

Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, juntamente com membros da cúpula de seu governo (2019-2022), incluindo generais. Atualmente, ele cumpre pena em prisão domiciliar temporária devido a problemas de saúde.

Ao destacar o peso do Brasil na América Latina — em território, PIB e população —, Flávio buscou ressaltar a importância de um governo alinhado aos valores conservadores para os interesses americanos na região.

"Esta é a encruzilhada que a América enfrenta: ou vocês têm o aliado mais poderoso do hemisfério, ou um antagonista que se alinha com adversários americanos e torna qualquer política americana para a região impossível", disse.

Durante o discurso, Flávio mencionou cinco vezes os "cartéis de drogas" para pedir colaboração americana no combate a facções como o PCC e o Comando Vermelho, associando Lula a esses grupos criminosos.

Por fim, Flávio prometeu retornar ao palco do CPAC no próximo ano como presidente do Brasil e declarou que seria uma versão melhorada de seu pai, assim como, segundo ele, o segundo governo Trump seria superior ao primeiro. Ele estava acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro, apresentado como "deputado exilado", e outros aliados.