DISCURSO INTERNACIONAL

Nos EUA, Flávio Bolsonaro defende valores conservadores e promete combater agenda woke

Senador brasileiro adota tom antissistema em evento conservador nos Estados Unidos e critica políticas ambientais e elites globais.

Publicado em 28/03/2026 às 17:54
Nos EUA, Flávio Bolsonaro defende valores conservadores e promete combater agenda woke Reprodução / Instagram

Em um dos discursos mais conservadores desde que manifestou intenção de concorrer à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou um tom antissistema durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), nos Estados Unidos. Flávio afirmou que, caso eleito, irá lutar contra o que chamou de "agenda ambientalista radical", a "agenda woke" e os "interesses das elites globais". Ele também se definiu como "Bolsonaro 2.0" e destacou que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enfrentou a "tirania da Covid".

"Ele, Jair Bolsonaro, lutou contra cartéis de drogas, contra interesses da elite global, contra a agenda ambiental radical, contra a agenda woke que destruiu famílias, mas, acima de tudo, lutou pela liberdade. Meu pai também era aliado de Donald Trump e foi o último líder mundial a reconhecer Joe Biden como presidente dos EUA", declarou o senador.

As declarações ocorreram no evento conhecido por reunir figuras da direita conservadora internacional e acontecem em um momento em que Flávio busca adotar discurso mais moderado para atrair o Centrão e o mercado financeiro.

Flávio iniciou sua apresentação exibindo fotos de Jair Bolsonaro com Donald Trump, na Casa Branca, em 2019, e afirmou que seu pai hoje está preso em um processo semelhante ao enfrentado por Trump.

"A acusação formal é semelhante à que o presidente Donald Trump enfrentou. Mas a verdadeira razão é a mesma: o maior líder político do meu país está preso por defender nossos valores conservadores sem medo e por se opor ao sistema com tudo o que tinha", afirmou Flávio Bolsonaro.

O senador ainda alegou que Jair Bolsonaro foi preso pelas mesmas pessoas que libertaram o atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "As mesmas pessoas que prenderam meu pai tiraram este homem, o ex-presidente socialista Lula, condenado várias vezes por corrupção, da prisão e o colocaram de volta na presidência. Tudo isso sob uma enxurrada de dinheiro e uma interferência massiva da administração Biden. O resultado? O Brasil está vivendo outra devastadora crise econômica, uma crise de segurança pública com expansão dos cartéis de narcoterrorismo e múltiplos escândalos de corrupção envolvendo até membros da família de Lula", declarou.

Minerais críticos

Flávio Bolsonaro também abordou a dependência da América em relação à China para a importação de minerais críticos, citando que o país asiático controla cerca de 70% da mineração global e mais de 90% do refino e processamento desses materiais, essenciais para a indústria tecnológica e de defesa dos EUA.

"Por que isso importa? Essas terras raras são essenciais para processadores de computador, para a revolução da inteligência artificial e para equipamentos de defesa americanos. Sem esses componentes, a inovação tecnológica americana se torna impossível, e a produção militar avançada cai nas mãos de adversários. O Brasil é a solução para acabar com a dependência dos EUA em relação à China por minerais críticos", ressaltou.

Ao final do discurso, Flávio voltou a criticar Lula, afirmando que o atual presidente do Brasil é antiamericano. "Lula e seu partido são abertamente antiamericanos. Ele fala publicamente sobre minar o dólar como moeda global, aliou o Brasil à China em grande escala e se opôs aos interesses americanos em todos os itens de política externa", concluiu.