JUSTIÇA E POLÍTICA

Gilmar Mendes classifica vazamento de diálogos de Vorcaro como 'deplorável, lamentável e criminoso'

Ministro do STF critica atuação das CPIs e alerta para ilegalidade de quebras de sigilo sem fundamentação

Publicado em 26/03/2026 às 16:45
Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes fez duras críticas às Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) do Congresso durante evento com a presença do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, e outros parlamentares.

"É muito curioso que se invoque esse poder de autoridade judicial, e é bom que os parlamentares que estão aqui possam ouvir isso: autoridade judicial decide com fundamento. Quebra de sigilo sem fundamentação é obviamente inconstitucional", destacou Gilmar Mendes. “É ilegal e os senhores sabem que é ilegal, sabem que é inconstitucional”, reforçou.

O ministro elevou o tom ao afirmar que é “deplorável que quembrem sigilo e divulguem, vazem, é abominável”. Nesse momento, o ministro Alexandre de Moraes acrescentou: “E um criminoso” .

As declarações referem-se ao vazamento de diálogos íntimos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que passou a ser alvo das comissões após ampliação do escopo para apurar o escândalo envolvendo a instituição. "É deplorável, lamentável e crime que isso tenha acontecido. E é preciso que os senhores saibam disso. Mas os senhores já sabem disso. O poder envolve responsabilidade", afirmou Gilmar.

O ministro também defendeu uma atualização na legislação que regulamenta as CPIs: "O sistema atual ficou velho. É preciso que as mais práticas sejam debeladas, essas duas CPIs têm um dicionário, um abecedário de abusos".

Nesse contexto, o ministro André Mendonça, que autorizou a prorrogação da CPMI do INSS, ressaltou que determinou a devolução do material à Polícia Federal (PF) e afirmou que os vazamentos “atrapalham a investigação”. Gilmar Mendes complementou: “Quem vaza não quer investigar” .