Comissão de Educação concede vista coletiva e PNE será votado nesta quarta
A Comissão de Educação e Cultura (CE) concedeu nesta terça-feira (24) vista coletiva ao projeto do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas para a educação brasileira para os próximos dez anos. Relatora do PL 2.614/2024, do Poder Executivo, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) disse que até esta quarta (25) analisará as novas emendas apresentadas pelos senadores. Teresa Leitão disse que avaliará se as emendas podem ser tratadas como emendas de redação, para que não seja necessário o retorno do texto à Câmara dos Deputados.
— Teremos uma nova reunião deliberativa na quarta-feira às 9 horas [desta quarta-feira, 25] para a decisão final sobre o projeto, para então ele seguir ao Plenário — disse a senadora, que preside um CE, em entrevista coletiva após a reunião.
Ela observou que o PNE atual apresenta avanços avançados em relação ao plano anterior, com maior clareza conceitual, estratégica federativa, institucionalidade e um modelo de financiamento "robusto".
— O PNE é este instrumento central de cooperação federativa, capaz de traduzir e viabilizar uma política de Estado. Ele também é fruto de aprendizado institucional, envolvendo sociedade, Câmara e Senado, garantindo estabilidade, perenidade e continuidade de políticas educacionais para além de governos — afirmou o senadora, que apresentou relatório favorável, ao PL 2.614/2024, com emendas de redação com adequações de linguagem, a fim de garantir celeridade e segurança jurídica.
Infra-escolar
Teresa Leitão destacou que o PNE é ferramenta de mobilização e planejamento para a educação. Ela observou que o projeto reflete um amplo debate social, tendo sido realizadas consultas e conferências em todo o país entre 2023 e 2024. Além disso, ressaltou, foram coletadas contribuições de grupos de trabalho do Ministério da Educação e do Legislativo.
Para a senadora, o PNE consolida diretrizes e metas relacionadas à equidade, inclusão, qualidade educacional e valorização profissional. Segundo ela, o texto também prevê instrumentos operacionais, como planos de ação educacional, e mecanismos de monitoramento e avaliação contínua, reforçando a governança do Sistema Nacional de Educação.
Um destaque dado pelo senador foi o Programa Nacional de Infraestrutura Escolar, que passa a contar com horizonte de expansão, modernização e redução de desigualdades e que agora possui critérios claros de acompanhamento e metas visíveis para gestores.
Qualidade no ensino
Antes da leitura do relatório, a Consultoria Legislativa do Senado Federal apresentou ao CE documento técnico apontando os avanços do novo Plano Nacional de Educação (PNE), destacando a estrutura conceitual e operacional do texto. A análise foi pautada na comparação com o plano anterior, bem como nas mudanças aprovadas na Câmara.
— Desde o texto enviado pela Presidência da República e aprimorado pela Câmara, é possível perceber que o Plano Nacional de Educação para a próxima década está estruturado em um tripé de acesso, qualidade e equidade — declarou a consultora Luana Bergmann Soares.
O PL 2.614/2024, do Poder Executivo, foi aprovado na Câmara dos Deputados em dezembro na forma de um texto substitutivo, que expandiu consideravelmente o projeto, passando de 24 para 37 artigos, de 18 para 19 objetivos, de 58 para 73 metas e de 252 para 372 estratégias.
Segundo a consultoria, o plano prevê monitoramento mais robusto e planos bianuais que detalham ações e alocação de recursos nos três níveis de governo. Além disso, há um destaque maior na qualidade do ensino.
— A qualidade é um ponto muito importante nesse PNE. Ele está desdobrado nas metas: você tem objetivos de acesso à educação e objetivos específicos de qualidade, desde a educação infantil, perpassando todas as modalidades de ensino — explicou a consultora Tatiana Feitosa de Britto.
Metas
Entre os principais destaques apontados pela Consultoria estão:
Programa Nacional de Infraestrutura Escolar, com recursos provenientes da exploração de petróleo e gás;
Meta de financiamento educacional compatível com custo-aluno-qualidade, com previsão de 7,5% a 10% do PIB;
Projeção de metas por ente federativo, além das médias nacionais;
Revisão quinquenal do plano, com base no monitoramento e instâncias federativas;
Governança estruturada nas instâncias tripartida e bipartida do Sistema Nacional de Educação;
Avanços na qualidade da educação em todas as modalidades e níveis, incluindo alfabetização com matemática desde o 2º ano, conclusão do ensino médio na idade regular e educação integral;
Foco na equidade e redução de desigualdades por gênero, território e grupos sociais;
Inclusão de objetivos contemporâneos, como conectividade, tecnologias educacionais, sustentabilidade ambiental e educação para populações específicas (indígenas, quilombolas, do campo, educação especial e bilíngue de surdos);
Valorização dos profissionais da educação, com metas de aumento de servidores em cargas efetivas e gestão democrática baseada em mérito.