Em 1º discurso no Nordeste, Flávio faz novo aceno às mulheres e critica segurança pública do PT
Em seu primeiro discurso na Região Nordeste como pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez novo aceno ao eleitorado feminino e reforça críticas ao atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente com ataques à condução da segurança pública.
Juntando os dois assuntos, Flávio mencionou os dados de feminicídio no Brasil para criticar Lula. "Vocês querem um governo que se preocupe de verdade com as mulheres, que abrace as mulheres, que trabalhe para colocar agressor de mulher no mesmo dia preso? Ou vocês querem um governo que está batendo recorde de feminicídios? Recorde de mulheres agredidas?", questionou.
O pronunciamento, realizado no Rio Grande do Norte, reuniu senadores, prefeitos do Estado e outros aliados em Estados vizinhos na busca de formação de palanques que possam reverter o cenário na região - em que o PT tradicionalmente vence os adversários com ampla vantagem.
"Essa eleição vai ser sobre o caminho que a gente quer para o Brasil nos próximos 50 anos. Vocês têm o caminho da prosperidade, de quem quer deixar bandido perigoso mofando na cadeia, de quem não tolera agressor de mulher", disse Flávio a apoiadores no Estado, enquanto vestia uma camisa com a frase "Nordeste é solução".
O outro caminho, prosseguiu Flávio, seria o de "assaltantes, estupradores, traficantes de drogas, pedófilos, agressores de mulheres".
Ele adotou um tom eleitoral durante os quase 15 minutos de discurso. "O governo Lula já está há quase 20 anos, ou o PT, melhor dizendo; o que melhorou na sua vida? A esquerda está há muito tempo governando o Rio Grande do Norte. O que melhorou na sua vida? Você consegue ir trabalhar em paz? Você consegue ir no posto de saúde e ser bem atendido? Você consegue uma boa escola para o seu filho? Ela dá tempo integral para você conseguir ir trabalhar? Por que continuar insistindo no erro? Neste ano, nós temos uma grande oportunidade."
Flávio mostra que o eleitorado feminino deverá ser uma de suas prioridades iniciais. Esse foi um dos públicos alvos em seu pronunciamento inaugural, em manifestação na Avenida Paulista.
Pesquisa AtlasIntel de fevereiro fez a seguinte pergunta aos entrevistados: "Pensando no futuro do País no contexto das eleições presidenciais deste ano, qual dos seguintes resultados possíveis te causa mais medo ou preocupação?"
A maioria das mulheres (54%) respondeu que a eleição de Flávio Bolsonaro é a que mais as preocupam. Já 38% delas disseram que o que mais as preocupam seria a reeleição de Lula.
Nos recortes por gênero dessa mesma pesquisa, o apoio das mulheres a Flávio oscila entre 28,6% e 33,5%. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2024 mostram que as mulheres são a maioria do eleitorado nacional e representam 52% do total de votantes no País.
Flávio esteve ao lado de aliados que deverão ser importantes na construção de palanques no Nordeste - caso do senador Rogério Marinho (PL-RN), do prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), e do senador Efraim Filho (PL-PB), que pretende disputar o governo do Estado da Paraíba.
O pré-candidato, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aproveitou também para se apropriar poltiicamente da aprovação do projeto de lei antifacção, enviado pelo governo Lula, mas alterado por Guilherme Derrite, relator da proposta na Câmara e aliado de última hora da família Bolsonaro.
Flávio falou que seguir o caminho dele é escolher "o caminho de quem vai deixar 80 anos preso quando a gente mudar a lei ainda esse ano".
Ele também criticou a decisão de Lula de não classificar organizações criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, algo que Derrite tentou fazer em sua primeira versão do projeto de lei. "É um governo que não quer tratar Comando Vermelho, PCC como organização terrorista, porque os presídios ficaram em festa em 2022, quando ele foi anunciado presidente da República", afirmou.