FISCALIZAÇÃO DE EMPRESAS BINACIONAIS

Comissão aprova projeto que prevê controle do Congresso sobre contas de empresas supranacionais

Proposta determina que Congresso tenha acesso às contas de estatais criadas por tratados internacionais, como a Itaipu Binacional.

Publicado em 26/02/2026 às 14:18
Comissão da Câmara aprova projeto que amplia fiscalização do Congresso sobre contas de empresas binacionais. Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece o controle externo das contas de empresas supranacionais pelo Congresso Nacional. A medida inclui estatais criadas por tratados internacionais com participação da União, como a Itaipu Binacional.

De acordo com o texto aprovado, o governo federal deverá garantir, nas negociações de tratados internacionais, cláusulas que permitam a fiscalização das contas dessas estatais pelo Congresso, com o apoio do Tribunal de Contas da União (TCU). A proposta também prevê a atuação dos órgãos de controle dos países parceiros.

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), ao Projeto de Lei 754/25, de autoria do deputado Alberto Fraga (PL-DF). O relator manteve o objetivo original, mas optou por criar uma norma autônoma, em vez de alterar a Lei das Estatais, devido à natureza jurídica específica dessas empresas.

“É uma imposição finalística a de que o poder público logre inserir, em tratados sobre entidades supranacionais, autorização para sua fiscalização pelo Congresso Nacional e por mecanismo similar dos demais Estados partes”, afirmou o relator.

Natureza jurídica

Para Orleans e Bragança, uma lei autônoma é necessária porque há divergências jurídicas sobre o enquadramento de empresas como a Itaipu na Lei das Estatais. Segundo ele, o Supremo Tribunal Federal (STF) classifica a hidrelétrica como “empresa juridicamente internacional”, o que dificulta a aplicação da norma.

Em casos de tratados já vigentes e anteriores à Constituição, como o de Itaipu, o substitutivo determina que o Poder Executivo retome as negociações com o governo do Paraguai para elaborar uma emenda que inclua a norma de controle.

Atuação do governo

Segundo o deputado Alberto Fraga, autor da proposta original, a medida busca garantir a efetividade da fiscalização dessas empresas. Ele argumenta que é necessário regulamentar a atuação do governo nesses casos, conforme previsto na Constituição.

“Por ser uma entidade binacional, oriunda de um tratado de 1973, não se previu, nos instrumentos de formalização, como se daria a fiscalização de contas da hidrelétrica”, explicou o parlamentar na justificativa que acompanha o texto.

Próximos passos

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.