DIREITOS DAS MULHERES

Câmara votará projetos para punir violência vicária na próxima semana

Propostas preveem punição específica para casos em que filhos ou dependentes são usados para atingir mulheres

Publicado em 24/02/2026 às 21:24
Câmara votará projetos que preveem punição para violência vicária contra mulheres e seus familiares. Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) anunciou nesta terça-feira (24) que, na próxima semana, a Câmara dos Deputados votará duas propostas que tratam da violência vicária como forma de agressão. A violência vicária ocorre por substituição, ou seja, é praticada contra outras pessoas, mas com o objetivo de atingir a mulher. Nesses casos, a violência é direcionada a filhos, dependentes ou outros parentes da rede de apoio da mulher, buscando atingi-la de forma indireta. "É um feminicídio às avessas, mas muito mais grave. Porque faz a mãe se sentir culpada a vida inteira pela morte de seus filhos ou seus pais", afirmou a parlamentar.

Segundo Laura Carneiro, a intenção é unificar duas propostas sobre o tema. A primeira, de sua autoria, inclui de forma expressa na Lei Maria da Penha (PL 3880/24) a violência vicária entre as definições de violência doméstica contra a mulher. A segunda proposta (PL 2767/25), da deputada Maria do Rosário (PT-RS) e outras quatro parlamentares, propõe a inclusão do homicídio vicário no Código Penal.

"O que estamos propondo é unir os dois projetos para que possamos, na próxima semana, em homenagem à mulher brasileira, incluir a violência vicária na legislação brasileira", destacou Laura Carneiro.

Durante discursos no Plenário, deputadas lembraram o caso do secretário de governo de Itumbiara (GO), que matou os dois filhos para atingir a esposa e, em seguida, cometeu suicídio. "Queremos dizer ao Brasil que, como mulheres que atuam juntas no Parlamento, pedimos ao presidente Hugo Motta que priorize os temas das mulheres e coloque em votação o enfrentamento à impunidade pelas crianças de Itumbiara e também pela mãe, para que ela não seja julgada", afirmou Maria do Rosário.