CULTURA E CIDADANIA

Comissão aprova projeto que cria o Programa Desenrola Cultura

Proposta prevê renegociação de dívidas para profissionais e organizações culturais, com descontos de até 70% e parcelamento em até 144 meses.

Publicado em 09/01/2026 às 12:00
Comissão aprova projeto que institui o Programa Desenrola Cultura para renegociação de dívidas no setor cultural. Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou, em dezembro, o projeto de lei que institui o Programa Desenrola Cultura, destinado à renegociação de dívidas de pessoas físicas e jurídicas do setor cultural.

De acordo com o texto, os débitos poderão ser parcelados em até 144 meses, com descontos que podem chegar a 70% do valor consolidado, além da possibilidade de anistia para dívidas antigas e de baixo valor.

O financiamento do programa será garantido pelo Fundo Nacional da Cultura (FNC) e por dotações orçamentárias anuais.

Pela regra geral, profissionais e organizações culturais poderão parcelar suas dívidas em até 120 meses, com redução de até 70% sobre o valor consolidado, já incluindo juros e multas.

Para débitos considerados irrecuperáveis ou de devedores com baixa capacidade de pagamento, as condições são ainda mais flexíveis, permitindo parcelamento em até 144 meses, mantendo o desconto máximo de 70%.

A comissão aprovou o substitutivo da relatora, deputada Denise Pessôa (PT-RS), ao Projeto de Lei 443/25, de autoria do deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ).

O texto aprovado amplia o alcance do programa para incluir, além de artistas, técnicos e produtores, as organizações culturais.

O substitutivo também destaca entidades sem fins lucrativos, de natureza comunitária, associativa ou de pequeno porte, consideradas essenciais para a manutenção da diversidade cultural e geração de empregos.

Em seu parecer, a deputada Denise Pessôa argumentou que a inclusão das organizações é fundamental para o ecossistema cultural e que a anistia de débitos antigos promove justiça fiscal.

"A medida promove justiça fiscal, desonera o Estado de encargos administrativos desproporcionais e permite que profissionais e instituições culturais retomem suas atividades sem passivos insustentáveis", afirmou Denise Pessôa.

Próximos passos
A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.