POLÍTICA

Filhos de Bolsonaro criticam Moraes após anulação de sindicância do CFM

Decisão do ministro do STF, que anulou investigação sobre atendimento médico ao ex-presidente, provoca reação da família Bolsonaro nas redes sociais

Publicado em 08/01/2026 às 15:26
Flávio e Eduardo Bolsonaro Reprodução / Instagram

Os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro criticaram nesta quarta-feira (7) a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que anulou a sindicância determinada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para apurar as condições do atendimento médico prestado ao pai. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está preso na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, classificou Moraes como "negacionista" — termo amplamente usado durante a pandemia de covid-19, período em que Jair Bolsonaro contrariou recomendações das autoridades de saúde.

Em publicação no X, Flávio afirmou ainda que a defesa do ex-presidente está adotando as medidas cabíveis para que Bolsonaro seja transferido para prisão domiciliar humanitária. Ele também cobrou um posicionamento do presidente do STF, ministro Edson Fachin, sobre o que chamou de "total descontrole" do colega.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos, compartilhou no X uma postagem com um print da decisão de Moraes, acompanhada de uma legenda irônica: "É democracia demais!".

Carlos Bolsonaro (PL-SC), ex-vereador do Rio e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, também se manifestou, compartilhando uma publicação que criticava a rapidez da decisão do ministro. "Para autorizar Jair Bolsonaro a se deslocar ao hospital, o ministro Alexandre de Moraes levou mais de 24 horas. Já para constranger o Conselho Federal de Medicina e tentar intimidar seu presidente, foram necessárias apenas poucas horas", dizia o texto reproduzido.

Procurado por meio do STF, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para posicionamento.

Sindicância determinada pelo CFM

O CFM havia determinado, nesta quarta-feira, ao Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, a instauração imediata de uma sindicância para apurar denúncias relacionadas às condições de atendimento médico prestado a Bolsonaro na Polícia Federal. Segundo o conselho, as manifestações recebidas expressavam preocupação quanto à garantia de assistência adequada.

Em nota, o CFM afirmou que o estado de saúde do ex-presidente demanda a adoção de um "protocolo de monitoramento contínuo e imediato", com acompanhamento médico multidisciplinar.

Horas depois, Moraes declarou nula a determinação do CFM e determinou que a Polícia Federal ouça o presidente do conselho em até dez dias. No despacho, o ministro argumentou que o CFM não tem competência para fiscalizar o trabalho da corporação e que a abertura do procedimento caracterizaria "flagrante ilegalidade e desvio de finalidade".

Queda de Bolsonaro

Bolsonaro sofreu uma queda na madrugada de terça-feira (6), batendo a cabeça em um móvel na sala da Superintendência da Polícia Federal, onde está preso. Segundo o médico Brasil Caiado, o ex-presidente teve um traumatismo craniano leve.

Moraes autorizou a realização de exames médicos no Hospital DF Star, em Brasília, no dia seguinte. A demora na liberação provocou críticas de familiares. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que, caso algo aconteça com o marido, haverá "sangue nas mãos" do ministro.

Bolsonaro havia recebido alta médica há poucos dias, após internação no Hospital DF Star desde a véspera de Natal, quando passou por sua oitava cirurgia desde 2018, para tratar uma hérnia inguinal. O ex-presidente também foi submetido a procedimentos no nervo frênico para amenizar crises recorrentes de soluços.