CPI DO MASTER

Randolfe Rodrigues avalia viabilidade de CPI do Master diante do calendário eleitoral

Líder do governo aponta possível esvaziamento do Congresso por causa das eleições e diz que Executivo não veta investigações sobre o banco.

Publicado em 08/01/2026 às 12:30

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou nesta quinta-feira (8) que ainda não há definição sobre o apoio do Executivo à instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master. Segundo o senador, a proximidade das eleições de outubro pode comprometer a "viabilidade pragmática" do funcionamento da comissão, devido ao provável esvaziamento do Congresso nesse período.

"Não sei se há viabilidade pragmática do funcionamento do Congresso Nacional que possibilite a CPI, mas o governo não tem nenhum veto a qualquer tipo de investigação, seja qual for. Inclusive, sobre a CPI, nós vamos avaliar", declarou Randolfe no Palácio do Planalto, antes da cerimônia em memória aos atos extremistas de 8 de janeiro de 2023.

O senador reforçou que o governo é favorável à apuração de eventuais fraudes envolvendo o Banco Master e defendeu o Banco Central, alvo de críticas nas redes sociais. "A posição do governo é que as investigações sigam e ocorram. O Banco Central deve ser respeitado em suas atribuições. A posição do governo é que as investigações aconteçam, custe o que custar, atinja quem tiver que atingir", disse.

O pedido de abertura da CPI tem sido articulado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), que afirma já ter obtido o número mínimo de assinaturas para protocolar o requerimento. A decisão sobre a instalação cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-RJ), que costuma ser reticente quanto à criação de CPIs, por considerar que elas podem travar os trabalhos legislativos.

Veto à dosimetria

Randolfe também afirmou que o governo irá trabalhar para manter o veto ao projeto da dosimetria, que prevê a redução das penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro. "Vai ser natural da nossa parte mobilizar para que o veto seja mantido", destacou.

Nesta quinta-feira, durante a cerimônia de memória, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o projeto aprovado pelo Congresso Nacional que reduzia as penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

O senador comentou ainda a ausência de Davi Alcolumbre e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no evento realizado no Planalto para lembrar o 8 de Janeiro. "No ano passado não foi diferente. É uma escolha que precisa ser respeitada, a dos presidentes das Casas. O importante é que a data de hoje deve ser sempre lembrada, para que não se esqueça e para que nunca mais aconteça", pontuou Randolfe.