Projeto que tramita na Câmara prevê prisão para prefeitos que omitirem dados em portais da transparência
Proposta classifica falhas ou ausência de informações públicas como crime de responsabilidade
Um projeto de lei que passa a tramitar na Câmara dos Deputados propõe o endurecimento das punições contra gestores públicos que descumprirem normas de transparência na administração municipal. O Projeto de Lei nº 708/2025 prevê pena de prisão para prefeitos e secretários que omitirem, manipularem ou deixarem de atualizar informações obrigatórias nos portais da transparência.
De autoria do deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil–SP), a proposta classifica como crime de responsabilidade a indisponibilidade, desatualização ou ausência de dados relacionados à gestão pública, especialmente no que diz respeito à aplicação de recursos públicos. Pelo texto, a simples constatação de irregularidades no portal poderá resultar em condenação imediata dos responsáveis.
A pena prevista varia de seis meses a dois anos de prisão nos casos em que o site oficial do município estiver fora do ar, apresentar informações incompletas ou não for atualizado dentro dos prazos legais. A proposta também alcança situações em que haja ocultação ou alteração deliberada de dados, bem como tentativas de manipular informações com o objetivo de dificultar investigações, auditorias ou fiscalizações por órgãos de controle.
O projeto estabelece ainda agravantes. A pena poderá ser aumentada em até 50% se a conduta envolver a participação de mais de uma pessoa ou tiver como finalidade beneficiar terceiros, direta ou indiretamente.
Na justificativa, o autor afirma que a transparência é um princípio constitucional e um instrumento fundamental de combate à corrupção, além de garantir o direito da sociedade de acompanhar e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.
A expectativa é que o debate sobre a proposta tenha início com a retomada dos trabalhos legislativos, após o recesso parlamentar do Congresso Nacional. Caso aprovado, o texto poderá representar uma mudança significativa na responsabilização de gestores municipais em todo o país.