Polícia Legislativa investiga ameaça de humorista a Nikolas Ferreira
Humorista Tiago Santineli é alvo de inquérito após comentário polêmico sobre o deputado; oposição pede reforço na segurança
A Polícia Legislativa Federal (PLF) da Câmara dos Deputados instaurou uma investigação para apurar uma suposta ameaça feita pelo humorista Tiago Santineli ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Na última segunda-feira (5), Santineli publicou em sua conta no X um comentário sugerindo que "alguém desligasse" o parlamentar, em referência ao assassinato do influenciador trumpista Charlie Kirk, ocorrido nos Estados Unidos em setembro do ano passado.
Poucas horas após a postagem, Nikolas Ferreira reagiu de forma irônica: "Vem me pegar", escreveu o deputado. Em seguida, anunciou que um inquérito havia sido aberto contra Santineli. "Só falta intimar o corajoso que fica fugindo da Justiça. Uma hora a casa cai", publicou.
Posteriormente, Santineli compartilhou um print mostrando que havia sido bloqueado por Nikolas na rede social, afirmando que o parlamentar "não aguentava" uma publicação sua "sem chorar".
Procurados pela reportagem, tanto Tiago Santineli quanto Nikolas Ferreira não responderam aos contatos. O espaço segue aberto para manifestações.
Oposição pede reforço policial
O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, repudiou as ameaças e solicitou reforço da Polícia Legislativa para garantir a segurança de Nikolas Ferreira.
"Diante da gravidade dos fatos, esta Liderança agiu prontamente. Em contato direto com a Presidência da Câmara dos Deputados, já havia sido obtida a disponibilização de efetivo da Polícia Legislativa (Depol) para assegurar a integridade física do deputado Nikolas Ferreira e de sua família. Foi determinada a abertura de investigações para a instauração de inquérito policial, a fim de apurar a conduta do autor das ameaças, bem como de seus financiadores e incentivadores. Toda a estrutura jurídica e de segurança da Casa do Povo está mobilizada e à disposição dos parlamentares ameaçados", publicou o deputado em sua conta no X.
Intolerância política
Recentemente, Nikolas Ferreira liderou uma campanha nas redes sociais para pressionar empresas privadas a demitirem o que classificou como "funcionários extremistas". O assassinato de Charlie Kirk nos EUA desencadeou uma onda de ataques virtuais contra usuários que ironizaram ou debocharam da morte do ativista.
Dentre os alvos de Nikolas estavam o influenciador Felipe Neto, o ator José de Abreu, o jornalista e escritor Eduardo Bueno e o humorista Whindersson Nunes.
Admiradores de Kirk passaram a mapear críticos do influenciador, expondo-os publicamente e pressionando por suas demissões. A mobilização ocorre após anos de críticas de grupos conservadores à chamada "cultura do cancelamento", tradicionalmente associada à esquerda. O movimento ganhou força com a adesão de bolsonaristas e trumpistas, que passaram a denunciar publicações consideradas ofensivas a autoridades do governo norte-americano.
Nikolas é alvo de processos
Líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou nesta segunda-feira (5) que irá apresentar uma representação à Polícia Federal contra Nikolas Ferreira, acusando-o de incentivar uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil.
"Eles continuam com a tentativa de golpe, é um golpe continuado. Agora eles abertamente estimulam uma intervenção armada estrangeira dos Estados Unidos contra o Brasil", afirmou Lindbergh em vídeo publicado no Instagram.
A declaração faz referência a uma publicação de Nikolas no X, que alcançou 7,3 milhões de visualizações, mostrando uma montagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sendo segurado por dois militares norte-americanos, em alusão à prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro.