CRISE HUMANITÁRIA

Denarium alerta para risco de colapso em Roraima com possível nova onda migratória da Venezuela

Governador afirma que Estado não tem capacidade de atender aumento no fluxo de venezuelanos e teme colapso dos serviços públicos.

Publicado em 06/01/2026 às 16:04
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP-RR), voltou a manifestar preocupação com a situação na fronteira entre Brasil e Venezuela, alertando para o risco de colapso dos serviços públicos diante de uma possível nova onda migratória.

“É uma preocupação muito grande. Se aumentar o fluxo de entrada de venezuelanos, o Estado de Roraima não tem condições e não tem capacidade para fazer o atendimento”, declarou Denarium em entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira, 6.

Segundo o governador, no auge da migração, entre 1.500 e 2.000 venezuelanos chegavam diariamente a Roraima. Nos últimos 30 dias, esse fluxo caiu para uma média de 300 a 500 pessoas ao dia, mas o cenário segue instável. “Com esse ataque ocorrido, estamos vivendo um momento de muita preocupação e fazendo a observação”, afirmou.

Dados do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dimensionam o fenômeno: em 2010, havia 2.869 venezuelanos vivendo no Brasil; em 2022, esse número saltou para 271.514 – quase 94 vezes mais. Em Roraima, estrangeiros representam 12,84% da população, formada majoritariamente por venezuelanos.

Denarium avaliou que uma transição política pacífica na Venezuela poderia amenizar a pressão migratória, enquanto o agravamento do conflito teria efeito oposto. “No meu entendimento, se houver uma transição pacífica, em que os Estados Unidos tenham o controle da situação, isso deve inibir a saída de venezuelanos para outros países. Se for uma transição em que haja resistência do regime de Nicolás Maduro, pode ocorrer uma guerra civil e aumentar a saída de venezuelanos”, disse.

Mesmo com o fechamento oficial da fronteira, o governador relatou que venezuelanos continuam entrando no Brasil por rotas alternativas. “Mesmo com a fronteira fechada, os venezuelanos utilizam rotas alternativas para entrar no Brasil. Então, a preocupação é muito grande pela nossa parte”, concluiu.

Os Estados Unidos (EUA) atacaram a Venezuela na manhã de sábado, 3, com bombardeios em Caracas e a prisão do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados para os EUA, onde serão julgados pela Justiça de Nova York.