POLÍTICA

Líder do PT pede investigação de Flávio, Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira por tentativa de golpe

Lindbergh Farias solicita à Polícia Federal apuração sobre supostos crimes contra a soberania e o Estado Democrático de Direito

Publicado em 06/01/2026 às 14:36
Reprodução / Agência Brasil

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), protocolou pedido junto à Polícia Federal para investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Eles são acusados de supostos crimes de atentado à soberania nacional, tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Segundo Lindbergh, a representação foi motivada por manifestações públicas dos parlamentares, que teriam incentivado uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil. O deputado afirma que Flávio, Eduardo e Nikolas promovem uma campanha que "cria grave ameaça de caráter coletivo e institucional".

"Os atos executórios consubstanciados pelo convite, a declaração performática e a propaganda gráfica são indícios inequívocos, diretos e orientados à produção do resultado ilegal, demonstrando, em tese, o dolo específico de deposição do governo e abolição da ordem democrática por meio de grave ameaça estrangeira", afirma o documento encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues.

A representação reúne publicações e declarações atribuídas ao trio desde 18 de julho. Entre elas, destaca-se uma postagem de 4 de janeiro, na qual Nikolas Ferreira compartilha uma montagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "sendo preso e algemado por soldados estrangeiros". Para Lindbergh, a publicação representa "a materialização do objetivo final da narrativa: a deposição do Chefe de Estado por força militar externa".

A postagem considerada a "exibição gráfica" da "campanha" dos bolsonaristas ocorreu após a operação militar dos Estados Unidos que derrubou Nicolás Maduro na Venezuela.

No sábado, 3, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo bombardeou território venezuelano e "capturou" Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, com apoio de agentes da inteligência americana. Segundo autoridades americanas, Maduro lideraria um cartel de drogas e seria responsável por atos de violência terrorista.

Na segunda-feira, 5, Maduro declarou perante um tribunal de Nova York que é inocente e que foi "sequestrado". Já nesta terça-feira, 6, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou que a intervenção americana na Venezuela violou o direito internacional. No momento, a Venezuela está sob comando da vice-presidente Delcy Rodríguez.