Vladimir Barros

É advogado militante, formado pela Universidade Federal de Alagoas e pós-graduado em Direito Processual e Docência Superior. Jornalista filiado ao Sindjornal/FENAJ, é membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (AAI) e da Associação Brasileira de Imprensa; Editor do Jornal Tribuna do Sertão. É também membro da Academia Palmeirense de Letras (Palmeira dos Índios) e fundador da Rádio Cacique FM.

Vladimir Barros

Tribuna do Sertão, 30 anos: o mandacaru que não se curvou

Publicado em 12/01/2026 às 10:42
Ilustração IA

Há datas que não cabem numa simples contagem de tempo. Elas pedem memória, pedem respeito, pedem silêncio antes da palavra. Trinta anos não são apenas três décadas: são noites viradas, gráficas que rangem de madrugada, manchetes discutidas no calor do sertão, portas fechadas, portas reabertas, pressões sofridas, verdades publicadas — e, sobretudo, resistência.

Mesmo em tempos digitais, em tempos de telas fugazes e notícias que duram o tempo de um deslizar de dedo, a Tribuna do Sertão resiste. Resiste porque nasceu para isso. Porque foi forjada não no conforto das capitais, mas na aspereza do interior. Porque carrega, desde o primeiro exemplar, o símbolo que melhor a define: o mandacaru.

Tal qual o mandacaru sob o sol causticante do sertão, que guarda água por dentro para não morrer por fora, a Tribuna do Sertão aprendeu a sobreviver às secas da política, às tempestades do poder e às tentativas insistentes de silenciamento. O mandacaru é a logomarca. Mas, mais do que isso, é o destino do jornal.

Passaram os anos.
Passaram os governos.
Passaram os políticos — e a Tribuna do Sertão não passou.

Passaram prefeitos que tentaram intimidar.
Passaram gestões que perseguiram, que cortaram anúncios, que fecharam portas.
Passaram os poderosos de ocasião — e a Tribuna do Sertão permaneceu.

Porque jornal não é feito para agradar governantes. É feito para servir ao povo.

Ao longo desses 30 anos, a Tribuna do Sertão foi mais do que um veículo de comunicação. Foi arquivo da memória coletiva de Palmeira dos Índios, tribuna literal do sertão alagoano, espaço de denúncia, de reflexão, de informação e de identidade. Um jornal que se contrapôs ao tempo — e venceu. Que enfrentou as intempéries políticas — e não se dobrou.

Hoje, a Tribuna se reinventa. Aperfeiçoa-se. Moderniza-se. Entra no mundo digital sem abandonar suas raízes. Aprende novas linguagens sem esquecer o compromisso antigo: ser a voz do povo de Palmeira dos Índios, do Sertão de Alagoas e, cada vez mais, de todo o Estado. A tecnologia muda. O suporte muda. Mas a essência permanece.

E nenhuma história assim se constrói sozinho.

Por isso, este texto é, antes de tudo, um agradecimento. Aos leitores fiéis, que nunca abandonaram o jornal nas bancas. Aos anunciantes, que acreditaram quando acreditar era um ato de coragem. Aos colaboradores, articulistas, repórteres, fotógrafos, diagramadores. Aos funcionários de todas as épocas. Aos jornaleiros, que madrugaram para fazer a notícia chegar. A todos que, anonimamente ou não, escreveram esta história com trabalho, suor e dignidade.

E, claro, um agradecimento especial ao fundador Ivan Barros, meu pai. Foi com ele que, naquele longínquo 1996, plantamos a primeira muda desse mandacaru editorial. Plantamos sem saber se daria flor. Mas plantamos com convicção.

Hoje, trinta anos depois, o mandacaru está de pé. Forte. Vivo. Florescendo no meio do sertão.

Que venham outros anos. Outras lutas. Outras plataformas.
A Tribuna do Sertão seguirá. Porque jornais de verdade não envelhecem — criam raízes.

Daqui, modestamente, meu muito obrigado.
E, com orgulho e emoção: salve, Tribuna do Sertão!