Itália destaca 'sintonia' com Papa sobre IA e defende reforma da ONU
Vice-premiê Antonio Tajani defendeu uso da inteligência artificial sob controle humano
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou nesta terça-feira (22), à margem da Assembleia Geral da ONU, que Roma apoia o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), mas defende que a tecnologia permaneça subordinada às decisões humanas.
"Somos absolutamente a favor da inteligência artificial. É uma ferramenta muito útil para o crescimento, mas também dizemos que não devemos ser subservientes à IA", declarou Tajani.
Segundo o chanceler italiano, a pessoa deve permanecer no comando das tecnologias. "Deve ser sempre a pessoa a guiar a inteligência artificial, e não o contrário. Nessa perspectiva, estamos perfeitamente em sintonia com o papa Leão XIV", afirmou.
Embora o desenvolvimento tecnológico, a difusão dos meios de comunicação de massa e das redes sociais, e o recurso à inteligência artificial abram novas possibilidades, derrubando barreiras e distâncias, o líder da Igreja Católica tem alertado para a IA não substituir a consciência humana.
As preocupações com a inteligência artificial inclusive foi o tema central da primeira encíclica de Leão XIV, a "Magnifica Humanitas" ("Humanidade Magnífica"), na qual o pontífice ressalta a importância de "desarmar a IA" para impedir que ela "domine o ser humano".
Além da posição do governo sobre a IA, Tajani também rejeitou a interpretação de que a ausência da primeira-ministra Giorgia Meloni na Assembleia Geral da ONU represente um sinal de atrito entre a Itália e os Estados Unidos.
"Foi uma escolha deliberada confiar a tarefa de representar a delegação italiana ao vice-primeiro-ministro — que também é ministro das Relações Exteriores e possui significativa experiência internacional", explicou.
A declaração ocorreu em meio à presença do presidente americano, Donald Trump, que foi protagonista de trocas de farpas com Meloni nos últimos meses.
Por fim, o ministro italiano também defendeu mudanças no funcionamento das Nações Unidas e afirmou que o organismo precisa ser mais ágil diante de crises internacionais.
"A Itália apoia o multilateralismo, mas há coisas nas Nações Unidas que precisam ser corrigidas, e uma reforma é necessária", disse.
Ao mencionar a guerra na Ucrânia, Tajani avaliou que a organização demorou a reagir. "As Nações Unidas precisam mudar o ritmo. Pois, em relação à guerra na Ucrânia, na minha opinião, não fizeram o suficiente e demoraram a agir", concluiu.