Itália doa 1,1 milhão de euros para apoiar resposta ao Ebola no Congo
Autoridades monitoram médica italiana que teve contato com pacientes infectados
O governo italiano anunciou nesta quarta-feira (27) que destinou 1,15 milhão de euros para apoiar a resposta humanitária ao surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC).
O financiamento foi solicitado pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e assinado pelo vice-ministro Edmondo Cirielli.
Os recursos serão canalizados para organizações da sociedade civil italiana com atuação nas províncias de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul, regiões mais afetadas pela epidemia.
As ações se concentram em quatro áreas prioritárias definidas por agências da ONU, como a Organização Mundial da Saúde e o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA): vigilância epidemiológica, rastreamento de contatos, assistência médica imediata e engajamento comunitário.
O financiamento integra um pacote mais amplo da Cooperação Italiana, que já soma 5,5 milhões de euros em iniciativas humanitárias na região, além de uma contribuição direta de 290 mil euros para a resposta da OMS.
Em paralelo, o Ministério da Saúde italiano informou que uma médica dos Médicos Sem Fronteiras que teve contato com pacientes infectados retornou em segurança à Itália. Assintomática, ela foi encaminhada ao Instituto Spallanzani, em Roma, para quarentena e vigilância ativa.
A médica atuava em Bunia, na província de Ituri, onde entrou em contato com casos posteriormente confirmados de Ebola. O governo italiano destacou que não há casos da doença no país e que o nível de risco permanece muito baixo, com monitoramento contínuo das autoridades sanitárias.
Enquanto isso, o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) alertou para a "séria preocupação" com a evolução do surto na África, embora mantenha a avaliação de risco para a Europa como "muito baixa".
A agência reforçou sua presença em campo e o monitoramento de viajantes provenientes das áreas afetadas.
Já a Organização Mundial da Saúde destacou a gravidade da situação no leste congolês, onde o avanço do Ebola ocorre em meio a conflitos armados. "Não existe vacina ou cura aprovada para o vírus Ebola Bundibugyo. Interromper a transmissão deste vírus Ebola depende inteiramente do acesso humanitário", explica.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a violência tem dificultado o rastreamento de contatos e o acesso das equipes médicas, comprometendo a contenção da epidemia.
"Os combates em curso estão causando deslocamentos em massa, empurrando os contatos expostos para campos superlotados e interrompendo corredores de contenção cruciais. Os profissionais da linha de frente estão arriscando tudo, enquanto os ataques a instalações de saúde tornam o rastreamento de casos e seus contatos quase impossível", acrescentou.
Para Adhanom, não é possível "construir confiança na comunidade ou isolar os doentes enquanto as bombas caem". "Instamos todas as partes no conflito a concordarem com um cessar-fogo imediato para conter este surto e permitir o acesso seguro e contínuo das equipes médicas. Exigimos que a sobrevivência humana seja priorizada", apelou.