Papa Leão XIV recebe elogios por encíclica sobre inteligência artificial
Pontífice lançou primeiro documento aprofundado de seu pontificado
O papa Leão XIV recebeu diversos elogios após publicar a primeira encíclica de seu pontificado, intitulada Magnificat Humanitas, e abordar os desafios éticos e sociais da inteligência artificial (IA), além de alertar para a concentração de poder tecnológico e a necessidade de regras globais mais rígidas para o setor.
Em editorial publicado nesta terça-feira (26), o jornal francês Le Monde descreveu as advertências do pontífice como "ainda mais contundentes e necessárias", destacando que elas se dirigem ao mundo inteiro em um momento em que o debate político sobre os impactos da IA estaria se tornando "escasso" e "abafado por discursos contraditórios de seus promotores".
A publicação também observou que o fato de uma autoridade religiosa precisar reforçar princípios humanitários básicos levanta preocupações sobre o estado atual das democracias.
"Não é tranquilizador", afirmou o editorial, ao comentar a relevância crescente do posicionamento do Vaticano no debate tecnológico global.
A União Europeia também manifestou apoio às ideias centrais da encíclica. O porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, declarou que o bloco "compartilha plenamente a visão de Sua Santidade o papa Leão XIV" sobre a necessidade de um quadro jurídico "eficaz e robusto" para a inteligência artificial.
Segundo Regnier, a Europa já dispõe de instrumentos regulatórios consolidados, como legislações sobre serviços digitais, mercados digitais e proteção de dados.
Ele destacou ainda que sistemas de IA que possam expor mulheres a riscos online ou facilitar a criação de pornografia infantil "não têm lugar na União Europeia".
Em sua encíclica "Magnificat Humanitas", Leão XIV enfatiza a urgência de regras justas e mecanismos de proteção diante do avanço acelerado da IA, especialmente em um contexto no qual o conhecimento e a tecnologia estariam concentrados nas mãos de poucos atores globais.
Por fim, o porta-voz da Comissão Europeia reforçou que o arcabouço regulatório europeu se aplica a todas as empresas e modelos de inteligência artificial que operam no continente, incluindo grandes empresas de tecnologia, independentemente de sua origem.
"Quanto às gigantes da tecnologia, nosso quadro jurídico não se aplica apenas a algumas delas, mas a todos os modelos e empresas que operam com IA na Europa", concluiu Regnier.
Já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que compartilha a “convicção” do Papa sobre a inteligência artificial, em mensagem publicada na rede X antes de sua viagem a Roma, onde será recebido em audiência pelo religioso.
“A caminho de Roma e do encontro com o Papa, uma convicção compartilhada: ou colocamos o progresso a serviço das pessoas, ou o futuro será a condenação de gerações inteiras”, escreveu Sánchez.
O chefe de governo espanhol também comentou a encíclica “Magnifica Humanitas”, atribuída a Leão XIV, destacando que o documento “desafia a todos nós” e alertando que “a IA não é neutra e o poder digital pode nos levar a novas atrocidades se não for orientado para o bem comum”.
Segundo Sánchez, “o texto é também uma defesa da paz, da dignidade humana e do multilateralismo”. Ele acrescentou ainda que “a Espanha é clara: neste momento de mudança, não podemos ser espectadores resignados. Tudo o que nos torna humanos está em jogo”, concluiu.