EUROPA

Itália acompanha situação de ativistas detidos na Líbia como 'imigrantes ilegais'

Dois italianos integravam 'comboio terrestre' de flotilha com ajuda para Gaza

Por Redação ANSA Publicado em 25/05/2026 às 10:48
Protestos na Itália em prol da Flotilha Global Sumud © ANSA/AFP

Dois ativistas italianos ligados à Flotilha Global Sumud, detidos no fim de semana na Líbia, foram transferidos para Benghazi e estão sendo tratados pelas autoridades locais como possíveis imigrantes ilegais, de acordo com relatos divulgados nesta segunda-feira (25).

Segundo fontes próximas ao caso, eles podem ser expulsos do país nos próximos dias. Os italianos foram identificados como Domenico Centrone, de 33 anos, natural de Molfetta, próximo a Bari, e Dina Alberizia, do Piemonte.

Os dois cidadãos integravam um grupo de cerca de 10 ativistas que participavam de um "comboio terrestre" organizado pela Flotilha Global Sumud, com o objetivo de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza através do Egito.

De acordo com Maria Elena Delia, porta-voz italiana da organização, o grupo perdeu contato com os ativistas após a entrada na região de Sirte, área controlada pelas forças do general Khalifa Haftar, no leste da Líbia.

"Eles podem ter sido presos; estavam negociando em um posto de controle com as milícias de Haftar", afirmou Delia.

Segundo fontes jurídicas ligadas à Flotilha, os ativistas aguardam julgamento em um tribunal de Benghazi. As autoridades locais alegam que eles teriam entrado na região sem a necessária "autorização de segurança", motivo pelo qual estão sendo tratados como imigrantes ilegais.

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que os dois italianos devem comparecer diante de um juiz e disse esperar que seja autorizada a volta deles ao país.

"Estamos em contato com nosso interlocutor em Benghazi. Espero que possam ser expulsos o mais rápido possível, e estamos trabalhando para que retornem para casa", declarou o chanceler em Roma.

O comboio da Global Sumud reunia cerca de 200 pessoas, além de sete ambulâncias e dez caminhões com ajuda humanitária. Segundo a organização, o grupo seguia de forma pacífica e em conformidade com o direito internacional, com o objetivo de apoiar os estágios iniciais da reconstrução do sistema de saúde e da infraestrutura civil de Gaza.

Ainda segundo os ativistas, as negociações com as autoridades do leste da Líbia para garantir passagem segura estavam paralisadas.

Em Sirte, integrantes do comboio relataram a presença de membros da 604ª Brigada, ligada a Haftar, posicionados com veículos armados e atiradores de elite em um posto de controle.

Um grupo de dez ativistas, incluindo cidadãos italianos, americanos, espanhóis, poloneses, portugueses e gregos, dirigiu-se ao local para negociar com as autoridades. Após cruzarem o posto de controle, não houve mais contato com eles.

A unidade de crise do Ministério das Relações Exteriores da Itália acompanha o caso e realiza investigações sobre o paradeiro e a situação dos ativistas detidos.