EUROPA

Dois italianos de flotilha pró-Gaza retornam a Roma e denunciam agressões de Israel

Dario Carotenuto e Alessandro Mantovani relataram violação de direitos durante prisão

Por Redação ANSA Publicado em 21/05/2026 às 10:42
Italianos estavam a bordo de flotilha interceptada por Israel ANSA

O deputado italiano Dario Carotenuto e o jornalista Alessandro Mantovani relataram nesta quinta-feira (21) ter sofrido agressões físicas e maus-tratos após serem detidos por forças israelenses durante a mais recente missão da Flotilha Global Sumud, que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Os dois retornaram à Itália pelo Aeroporto de Fiumicino, em Roma, após passarem por detenção em Israel. Em declarações à imprensa, Carotenuto afirmou que ele e outros ativistas foram espancados após a interceptação da embarcação.

"Eles nos bateram e disseram: 'Bem-vindos a Israel'", declarou o parlamentar, emocionado. "Foi tudo horrível. Três homens nos espancaram violentamente. Levei um soco no olho e um chute. Em certo momento, achei que não conseguiria mais enxergar."

Mantovani também denunciou violência generalizada contra os ativistas detidos. Em áudio divulgado pelo jornal Il Fatto Quotidiano, o jornalista afirmou ter visto pessoas com suspeitas de fraturas nos braços e costelas.

"Eu apanhei, Dario Carotenuto apanhou, outros apanharam ainda mais do que nós", disse. "Quase todos que passaram pelo contêiner de entrada foram espancados, e podíamos ouvir os gritos do lado de fora."

Segundo o jornalista, os ativistas foram algemados, submetidos ao uso de tornozeleiras eletrônicas e transportados sob forte escolta até o Aeroporto Ben Gurion, antes de serem enviados para Atenas em um voo de deportação.

Mantovani também afirmou que presenciou agressões contra mulheres detidas e criticou o apoio político europeu a Israel. "Isso acontece porque Israel é protegido por metade dos governos europeus, incluindo o nosso", declarou.

Os dois italianos retornam ao país logo após o governo italiano convocar o embaixador israelense em Roma para pedir esclarecimentos sobre a divulgação de um vídeo publicado pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, no qual ativistas aparecem algemados, vendados e ajoelhados.

Ao desembarcarem em Fiumicino, Carotenuto e Mantovani foram recebidos por parlamentares italianos, familiares e representantes de organizações civis. Entre os presentes estavam deputados do Movimento Cinco Estrelas e do Partido Democrático.

Carotenuto relatou ainda ter permanecido por seis horas em uma sala fria, com ar-condicionado a 17°C, sentado em uma cadeira, antes de ser levado algemado ao aeroporto. "Fizeram-nos passar diante de todos como criminosos", afirmou.

No total, 30 ativistas italianos foram detidos por Israel durante a operação contra a flotilha. Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Itália, todos eles já foram libertados e estão sendo repatriados em voos fretados.

A organização israelense de direitos humanos Adalah confirmou a libertação dos ativistas e acusou Israel de violar o direito internacional. Em comunicado, a entidade afirmou que a interceptação das embarcações em águas internacionais, seguida de "tortura sistemática, humilhação e detenção arbitrária", constitui uma "violação clara e flagrante" das normas internacionais.

A Adalah também informou que continua acompanhando judicialmente o caso da ativista israelense Zohar Regev, que permanece sob julgamento em Ashkelon. Segundo a ONG, Regev enfrenta acusações consideradas "absurdas" pela defesa, incluindo "entrada ilegal em Israel" e tentativa de violar o bloqueio imposto à Faixa de Gaza.

Por sua vez, o Ministério Público de Roma disse que irá incorporar em seu processo o vídeo divulgado nas redes sociais por Ben-Gvir, que mostra participantes da missão da flotilha ajoelhados, com as mãos amarradas nas costas, enquanto são ridicularizados pelo próprio ministro.

Segundo relatos, os magistrados também irão ouvir os depoimentos dos 29 ativistas que já retornaram à Itália, entre eles o parlamentar do Movimento 5 Estrelas, Dario Carotenuto. Os integrantes da missão deverão ser interrogados pelas autoridades italianas nos próximos dias.