União Europeia veta carne brasileira, mas tenta abrir diálogo
Eurodeputado italiano pediu suspensão de acordo com Mercosul
Após o confronto direto sobre a proibição da entrada da carne brasileira na Europa, determinada pela União Europeia (UE) e prevista para entrar em vigor em 3 de setembro, surgiram nesta quarta-feira (13) sinais de diálogo entre Brasília e Bruxelas.
A controvérsia reacendeu o debate político sobre o acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo Gaetano Pedullà, eurodeputado italiano do Movimento 5 Estrelas (M5S), o episódio demonstra que o tratado "deveria ser imediatamente suspenso e renegociado".
"A Comissão Europeia deveria parar de defender o indefensável e tomar a única medida sensata para defender nossa soberania e segurança alimentar", concluiu Pedullà.
Dito isso, as negociações continuam. Ao término de uma reunião entre o embaixador do Brasil na União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, e autoridades sanitárias europeias, a UE concordou em avaliar separadamente os diferentes produtos de origem animal exportados pelo país sul-americano, verificando individualmente a conformidade com os padrões sanitários europeus.
Fontes do governo brasileiro classificaram a decisão como um primeiro sinal de abertura nas negociações após a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco europeu, devido a acusações relacionadas ao uso de antimicrobianos.
A nova abordagem representa um avanço inicial porque, segundo o governo brasileiro, elimina a necessidade de uma avaliação uniforme de todo o setor agroalimentar, introduzindo verificações específicas para cada categoria de produto exportado.
O anúncio da proibição foi recebido ontem (12) com fortes críticas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota contundente, a administração brasileira manifestou "surpresa" com a decisão e reiterou possuir "um sistema sanitário sólido e internacionalmente reconhecido", graças ao qual "o Brasil é o maior exportador mundial de proteína animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas para o mercado europeu".
Agora, porém, a diplomacia está em ação: o gabinete da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reuniu-se com as diretorias-gerais competentes, enquanto uma espécie de unidade de crise interministerial foi criada em Brasília para tratar do tema.
Na versão inicial da regulamentação europeia, a exclusão do Brasil poderia afetar amplamente as exportações de carne bovina, aves, ovos, peixes, embutidos, animais vivos e até mel a partir de 3 de setembro, data prevista para a entrada em vigor das novas regras da UE sobre antimicrobianos.
Com as novas diretrizes, porém, mesmo no pior cenário, eventuais restrições ficariam limitadas a determinadas categorias de produtos, evitando uma proibição total das exportações.
Enquanto isso, o Ministério da Agricultura brasileiro anunciou que apresentará, dentro de dez dias, documentos adicionais para comprovar a não utilização de antimicrobianos proibidos em animais destinados à exportação.
Trata-se de uma questão de grande relevância para a economia brasileira: a eventual proibição das exportações de carne para a União Europeia poderia colocar em risco mais de US$ 2 bilhões em exportações agroalimentares do país sul-americano.