Proposta de homenagem à vítima de Crans-Montana gera polêmica na Itália
Família de Giovanni Tamburi quer criar vila para sem-teto em Bolonha
Um abaixo-assinado com centenas de assinaturas busca impedir a construção de uma vila para pessoas em situação de rua em Bolonha, norte da Itália, proposto por Giuseppe Tamburi, pai de Giovanni, um dos adolescentes italianos mortos durante o incêndio em Crans-Montana, na Suíça, no Ano Novo.
As informações são do jornal Resto del Carlino, que revelou que a ideia de homenagear o jovem de 16 anos com o centro popular de habitação surgiu após a família descobrir que Giovanni distribuía comida às pessoas em vulnerabilidade social na capital da Emilia-Romagna.
"Uma grande decepção. Talvez os moradores não tenham entendido o que queremos alcançar. Se vissem a vila pronta, tenho certeza de que pensariam diferente", disse Tamburi ao cotidiano, explicando que a estrutura que gostaria de construir em nome de seu filho na rua Terracini é "completamente diferente dos contêineres que existiam antes, cujos ocupantes frequentemente causavam diversos problemas".
"Estamos falando de uma estrutura com casas muito bonitas e bem equipadas. Meu projeto vai exatamente na direção oposta à degradação", acrescentou o pai de Giovanni, que deverá financiar metade da obra enquanto a outra parte será coberta pela prefeitura.
Ele frisou que "será o governo municipal quem irá decidir pelo avanço" ou não da proposta.
A secretária de Segurança de Bolonha, Matilde Madrid, informou que a prefeitura está avaliando "uma série de áreas [para a construção da vila], entre elas, a rua Terracini, através de uma análise de planejamento urbano".
A ideia é criar "uma vila com características habitáveis, não apenas dormitórios, mas uma verdadeira acolhida", reforçou Madrid sobre o projeto do pai do falecido.
Giovanni Tamburi está entre os seis adolescentes italianos mortos em um total de 41 vítimas no incêndio no bar Le Constellation, na estação de esqui em Crans-Montana, durante as celebrações de Ano Novo no último 1º de janeiro, que deixou ainda 115 feridos.
Os proprietários do estabelecimento, Jacques e Jessica Moretti, assim como autoridades suíças locais, estão sob investigação.