Starmer descarta renúncia após derrota de Partido Trabalhista em eleições locais
Partido Reform UK ampliou presença em redutos tradicionais
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta sexta-feira (8) que não pretende deixar o cargo após seu Partido Trabalhista sofrer uma dura derrota nas eleições locais, enquanto o Reform UK, liderado por Nigel Farage, registrou forte crescimento e assumiu protagonismo em diversas regiões.
As eleições são tratadas como um termômetro informal da popularidade de Starmer, que reconheceu uma derrota que ficou clara desde a primeira contagem parcial dos resultados.
O premiê britânico enfatizou que o resultado "dói" e assumiu a responsabilidade pela derrota, sem "buscar bodes expiatórios".
Ele também elogiou o comprometimento dos membros do Partido Trabalhista.
O resultado "não enfraquece minha determinação em alcançar a mudança prometida" pelo governo, ressaltou.
De acordo com a apuração inicial de cerca de um terço dos 136 conselhos locais em disputa, os trabalhistas perderam aproximadamente metade de suas cadeiras e foram ultrapassados pelo Reform UK como principal força política nos municípios analisados até o momento.
Os Conservadores, liderados por Kemi Badenoch, também registraram perdas significativas, embora tenham conseguido manter alguns redutos importantes. Já os Liberais Democratas, de Ed Davey, e o Partido Verde, associado ao dirigente "ecopopulista" Zack Polanski, ampliaram sua representação local.
O Reform UK aparece, até agora, com cerca de 100 cadeiras a mais que o Partido Trabalhista nos conselhos municipais em apuração. O avanço é considerado expressivo porque a legenda ainda não existia nas eleições locais de 2021.
Apesar da derrota, os trabalhistas seguem praticamente empatados em número de eleitos com os Liberais Democratas e os Conservadores. Estes últimos perdeu cerca de um terço de seus representantes locais em comparação com 2021, mas comemoraram a conquista simbólica do distrito de Westminster, em Londres, retomado dos trabalhistas.
Aliados de Starmer tentaram minimizar o impacto dos resultados, argumentando que eleições locais nem sempre refletem o cenário nacional. No entanto, vozes dissidentes dentro do próprio Partido Trabalhista passaram a questionar a liderança do premiê.
O deputado trabalhista John McDonnell afirmou considerar "inevitável" que o comando de Starmer no partido seja colocado em discussão após os resultados.