ITÁLIA

Em visita a Nápoles, Papa afirma que 'não há paz sem justiça'

Pontífice alertou que atuação do Estado contra crime é mais necessária do que nunca

Por Redação ANSA Publicado em 08/05/2026 às 16:29
Pontífice alertou que atuação do Estado contra crime é mais necessária do que nunca © ANSA/FOTO/ANSA/FELICE DE MARTINO

Em visita ao município de Nápoles, na Itália, o papa Leão XIV alertou que não é possível existir paz sem justiça.

"A paz começa no coração do homem, passa pelas relações, cria raízes nos bairros e subúrbios e se expande para abraçar toda a cidade e o mundo. É por isso que sentimos ser urgente trabalhar primeiro dentro da própria cidade", declarou o religioso.

O pontífice americano, que falou para uma multidão de fiéis na Piazza del Plebiscito, acrescentou que "a paz se constrói promovendo uma cultura alternativa à violência, por meio de gestos diários, programas educacionais e escolhas práticas de justiça".

Além de encorajar a cidade a ser uma "plataforma" para o diálogo, Robert Francis Prevost garantiu que "sabemos que não há paz sem justiça".

O líder da Igreja Católica também falou sobre a presença da máfia Camorra em Nápoles, indicando que a atuação do Estado contra o crime é mais necessária do que nunca.

"Nápoles vive hoje um paradoxo dramático: o notável crescimento do turismo não consegue acompanhar um dinamismo econômico capaz de envolver verdadeiramente toda a comunidade social", afirmou.

Diante da entusiasmada multidão de fiéis, Leão XIV apontou que Nápoles "continua marcada por uma divisão social que já não separa o centro dos subúrbios, mas se manifesta dentro de cada área, com periferias existenciais presentes até mesmo no coração do centro histórico".

"Em muitas áreas, observa-se uma verdadeira geografia da desigualdade e da pobreza, alimentada por problemas há muito tempo não resolvidos. Diante dessas realidades, que por vezes assumem proporções preocupantes, a presença e a ação do Estado são mais necessárias do que nunca para dar segurança e confiança aos cidadãos e combater o crime organizado", concluiu.