Vaticano reafirma EUA como 'interlocutor essencial' apesar de críticas de Trump a Papa
Declaração foi dada por Parolin na véspera de visita de secretário de Estado dos EUA
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, afirmou nesta quarta-feira (6) que os Estados Unidos continuam sendo um "interlocutor essencial" para a Santa Sé, apesar de eventuais tensões políticas e críticas.
A declaração foi dada em coletiva à imprensa na véspera da reunião entre o papa Leão XIV e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e faz referência aos ataques feitos pelo presidente Donald Trump ao religioso.
"Não faço julgamentos sobre os ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, mas os Estados Unidos são e continuam sendo um interlocutor essencial para a Santa Sé", disse Parolin.
O cardeal também abordou as críticas feitas por Trump ao líder da Igreja Católica, afirmando que Robert Prevost "age como Papa" e que determinadas reações lhe parecem "estranhas".
"Acredito que o Papa faz o que deve fazer, o Papa age como Papa, então atacá-lo dessa maneira ou criticar o que ele faz me parece um pouco estranho, digamos assim", enfatizou.
Por fim, Parolin ressaltou que, apesar de dificuldades pontuais, Washington mantém um papel central nas principais questões internacionais.
"Não podemos ignorar os Estados Unidos. Eles continuam sendo um interlocutor para a Santa Sé, também porque têm um papel em todas as situações que vivenciamos", concluiu ele.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, realizará uma visita oficial à Itália entre os dias 6 e 8 de maio, com o objetivo de fortalecer as relações bilaterais e alinhar interesses estratégicos entre os dois países, principalmente após Trump classificar o pontífice americano como "fraco" e o acusar de agir como "político", especialmente em relação a temas como a guerra no Irã.
Na reunião de amanhã (7), Parolin confirmou que a América Latina, a questão de Cuba, Líbano e a Faixa de Gaza também estão entre os temas que serão discutidos na reunião.