MANIFESTAÇÃO

Membros do Pussy Riot lideram protesto contra Rússia na Bienal de Veneza

Reabertura de pavilhão de Moscou na 61ª edição da mostra gerou polêmica

Por Redação ANSA Publicado em 06/05/2026 às 15:54
Russas do Pussy Riot e ucranianas do Femen se uniram em protesto contra Moscou na Bienal © ANSA/AFP

Manifestantes dos grupos feministas russo Pussy Riot e ucraniano Femen realizaram um protesto contra a Rússia em frente ao seu pavilhão na Bienal de Veneza nesta quarta-feira (6).

Usando balaclavas rosa-choque, símbolo do Pussy Riot, as participantes levantaram cartazes, balançaram a bandeira da Ucrânia, lançaram fumaça e entoaram frases anti-Moscou no dia em que o país liderado por Vladimir Putin faz a reabertura oficial de seu estande em um dos maiores eventos de arte contemporânea do mundo, após ter sido barrado nas edições de 2022 e 2024 pela invasão no país vizinho.

De modo paralelo, o presidente da Fundação Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, afirmou que "censura antecipada" é algo que lhe preocupa, depois de permitir o retorno da Rússia na 61ª Exposição Internacional de Arte, que será inaugurada no sábado (9).

No entanto, devido a sanções, Moscou está proibida de abrir seu pavilhão ao público durante a mostra, que será encerrada em 22 de novembro.

"Esta é uma Bienal que não quer resolver questões, mas sim mostrar, levantar questionamentos. Aqui, o único veto é à exclusão preventiva. Preocupa-me a censura antecipada, as declarações que chovem de todos os lados, construindo um veredito antes do debate", afirmou Buttafuoco nesta quarta em uma coletiva de imprensa de apresentação da mostra realizada no Arsenal.

Em meio à polêmica gerada com a reabertura do pavilhão russo nesta edição, que criou atritos com o governo italiano e com a União Europeia, o presidente da Fundação destacou que "a Bienal não é um tribunal, [mas] um jardim de paz".

"Pedimos às instituições diálogo. Vamos tentar olhar para a lua juntos", disse Buttafuoco com uma metáfora.

Ele agradeceu o posicionamento do governo do país por aceitar a decisão da organização do evento em aceitar artistas russos em 2026, pelo fato de "a Fundação Bienal de Veneza ser autônoma", apesar de não compartilhar da mesma opinião.

Referindo-se à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, Buttafuoco destacou que a premiê confirmou a "liberdade e a autonomia", que são "fundamentos da civilização do direito".

O chefe da Fundação também lembrou que os termos apenas citados foram definidos pelo presidente italiano, Sergio Mattarella, como o "mandato da arte e da cultura".

"Sigam em frente, sejam ousados e desenvolvam seus projetos livremente. É isso que recomenda o presidente da República [Mattarella]", falou Buttafuoco, antes de finalizar: "Pois bem, aqui estamos".

De modo paralelo, o embaixador da Rússia em Roma, Alexey Paramonov, criticou o governo da Itália e a direção da Fundação Bienal, que segundo ele, "se tornaram alvo de ditames e pressões inaceitáveis e brutais da União Europeia, cujos burocratas cinzentos e sem rosto fizeram tudo o que puderam para baixar a 'Cortina de Ferro' e impedir qualquer intercâmbio entre os países da UE e a Rússia".

"Há algo verdadeiramente mórbido e irracional na obsessão da UE em perseguir a cultura e a arte russas por meio de sanções e todo tipo de restrições", escreveu Paramonov no Facebook, pouco antes de inaugurar o pavilhão de Moscou em Veneza.

A nação governada por Putin tem sido alvo de sanções por levar a guerra na Ucrânia ao quarto ano, sem que haja qualquer sinal de cessar-fogo.