Rússia inaugura pavilhão na Bienal de Veneza; UE critica
Espaço ficará fechado de forma permanente durante toda a mostra
A Rússia reabriu nesta terça-feira (5) seu pavilhão na 61ª Bienal de Arte de Veneza, quatro anos após sua última participação no evento.
No entanto, a mostra de Moscou será de curta duração: voltado apenas a convidados, o espaço será fechado permanentemente na sexta-feira (8), véspera da inauguração da edição 2026. Ainda assim, o país poderá concorrer aos prêmios do evento, ponto que voltou a ser criticado pela União Europeia.
A abertura do espaço foi marcada por elementos sensoriais: logo na entrada, apresentações musicais com sons ancestrais e uma profusão de flores perfumadas deram as boas-vindas aos convidados.
No andar superior, uma grande árvore "enraizada no céu"- título da mostra - ergue-se no centro do salão, acompanhada por instalações de vídeo que retratam a paisagem da Buriácia, na Sibéria, com toda a sua neve, cavalos e montanhas.
Ao longo do dia, cerca de 30 músicos russos e de outras nacionalidades devem se apresentar no pavilhão, que fará sua inauguração oficial na quarta-feira (6), também para convidados.
A gravação das apresentações continuará até 8 de maio, véspera da abertura da 61ª Exposição Internacional de Arte - "In Minor Keys by Koyo Kouoh" , quando o espaço voltará a ser fechado permanentemente por ordens do Ministério da Cultura da Itália, após seus inspetores terem realizado, na semana passada, uma avaliação minuciosa da Bienal.
Devido às sanções impostas à Rússia pela invasão à Ucrânia, o relatório do governo italiano frisa que Moscou "não seria capaz de obter autorização para abrir o pavilhão ao público e, portanto, o acesso a ele não será permitido" no período em que a 61ª Bienal estiver em cartaz, ou seja, de 9 de maio a 22 de novembro.
Porém as performances realizadas nesta semana serão exibidas ao público em telões do espaço durante toda a Bienal.
Ainda assim, os artistas do país governado por Vladimir Putin poderão concorrer aos prêmios da edição 2026, os "Leões dos Visitantes", que substituíram o Leão de Ouro e os Leões de Prata após o júri internacional ter renunciado à Bienal de Veneza em meio à polêmica com as participações da Rússia e de Israel.
"Deixei bem claro meu forte descontentamento com a decisão da Bienal de permitir a participação russa na exposição de arte. A Bienal abre no sábado (9), ironicamente, é o Dia da Europa. E o Dia da Europa deveria ser um dia para celebrar a paz, não uma oportunidade para a Rússia se exibir na Bienal", afirmou a vice-presidente da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, em coletiva de imprensa nesta terça.
Ela confirmou que enviou uma nova carta aos dirigentes do evento em Veneza e ressaltou que "não hesitará" em suspender a verba de 2 milhões de euros destinada à Bienal.
"O dinheiro dos contribuintes europeus deve salvaguardar os valores democráticos e a diversidade. E sabemos que esses valores não são respeitados na Rússia de hoje", finalizou Virkkunen.