Maersk diz que navio atravessou Ormuz sob escolta dos EUA; mídia iraniana nega
Embarcação 'Alliance Fairfax' estava no Golfo Pérsico quando a guerra começou
A gigante dinamarquesa de transporte de cargas Maersk anunciou nesta terça-feira (5) que um de seus navios atravessou com sucesso o Estreito de Ormuz, no último dia 4 de maio, sob escolta militar dos Estados Unidos, em meio às crescentes tensões na região do Golfo.
Segundo comunicado da empresa, a embarcação Alliance Fairfax, de bandeira americana, estava retida no Golfo Pérsico desde o início do conflito em fevereiro e "teve a oportunidade" de deixar a área com apoio das forças dos EUA.
"A travessia foi concluída sem incidentes e todos os tripulantes estão sãos e salvos", afirmou a Maersk.
No entanto, a agência iraniana Tasnim descartou como "informação não confirmada" o anúncio da passagem do navio da transportadora e destacou a ausência de dados recentes de rastreamento da embarcação.
"Os dados do Sistema de Identificação Automática (AIS) do navio mostram que a última transmissão de posição foi feita há 65 dias, quando o navio estava ancorado perto da costa dos Emirados Árabes Unidos, no Porto Khalifa, em Abu Dhabi", diz a mídia iraniana.
A Tasnim também afirmou que plataformas especializadas em "monitoramento de tráfego marítimo mais confiáveis ainda não publicaram informações sobre a passagem da embarcação pelo Estreito de Ormuz", um dos pontos mais estratégicos para o transporte global de petróleo.
Paralelamente, relatos da imprensa norte-americana, citando as autoridades de defesa dos EUA, indicam um cenário de forte tensão militar na região. De acordo com a CBS, dois destróieres da Marinha norte-americana — o USS Truxtun e o USS Mason — atravessaram o Estreito de Ormuz recentemente, após desviarem de um bombardeio atribuído ao Irã.
Autoridades do governo de Donald Trump afirmaram que suas embarcações foram alvos de ataques iranianos com drones e mísseis, mas conseguiram evitar danos graças a sistemas defensivos e ao apoio aéreo, incluindo helicópteros. Nenhum projétil teria atingido os navios.
Já o Comando Central dos EUA declarou que a operação fez parte de uma iniciativa chamada "Projeto Liberdade", embora não tenha detalhado o número total de embarcações envolvidas.
O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente, permanece como um dos principais focos de tensão geopolítica, que coloca em xeque a trégua por tempo indeterminada anunciada por Trump.