Funeral de Zanardi reúne 2 mil pessoas e exalta perfil 'combatente'
'Desejo a todos que encontrem um sorriso', disse o filho do campeão paralímpico
Cerca de 2 mil pessoas participaram do funeral do ex-piloto de Fórmula 1 e ícone do esporte paralímpico italiano Alessandro Zanardi na Basílica de Santa Giustina, em Pádua, nesta terça-feira (5).
O caixão branco do paratleta chegou à igreja por volta de 11h (horário local), acompanhado pela esposa Daniela e pelo filho Niccolò, que fizeram uma saudação com as mãos unidas em sinal de agradecimento ao público que aguardava do lado de fora do templo sob chuva.
Dentro da basílica, 2 mil admiradores lotaram os bancos para assistir à despedida de Zanardi, morto no último sábado (2), aos 59 anos de idade.
A cerimônia teve a presença do ministro dos Esportes da Itália, Andrea Abodi; do governador do Vêneto, Alberto Stefani; do prefeito de Bolonha (cidade natal do ex-piloto), Matteo Lepore; do ex-presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni) Giovanni Malagò; do ex-esquiador Alberto Tomba; da campeã paralímpica de esgrima Bebe Vio; do presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Stefano Domenicali; e do cantor Gianni Morandi.
Sob o altar, foi colocada uma handbike utilizada por Zanardi em provas de paraciclismo. "Alex, mesmo depois de sua morte, continuará falando sobre seus objetivos", afirmou o padre Marco Pozza em sua homilia no funeral. "Lamento pela morte, ela pensou que tinha conseguido, mas desta vez também não calculou corretamente. Ela levou o corpo, mas a alma lhe escapou", disse o pároco, que era amigo do paratleta.
A cunhada de Zanardi, Barbara Manni, também discursou na cerimônia e declarou que a palavra que define o ex-piloto é "combatente", título de uma canção de Fiorella Mannoia tocada na basílica logo em seguida. "Veja o que você fez, o quão grande é o mundo que te cerca", disse Manni.
Na sequência, foi a vez de o filho de Zanardi, Niccolò, assumir a palavra e passar uma mensagem de encorajamento. "Você não precisa ser Alex Zanardi para ter uma vida maravilhosa, qualquer pessoa pode ter uma vida maravilhosa e gratificante. Desejo a todos, e a mim em primeiro lugar, que encontremos um sorriso nas pequenas coisas, porque é nelas que as grandes coisas são construídas", destacou.
Ele contou que seu pai fazia tudo com um sorriso no rosto, desde preparar um café até a massa de uma pizza. "E então entendi uma coisa que ele sempre falava: não é necessário pensar nos grandes desafios, nos grandes feitos, para encontrar um sorriso, alegria e gratificação", disse.
O funeral foi concluído ao som da música "Ti insegnerò a volare (Alex)", canção composta por Roberto Vecchioni e Francesco Guccini em homenagem ao campeão paralímpico.
Trajetória
Protagonista de uma das maiores histórias de superação do esporte moderno, Zanardi foi bicampeão da antiga Cart (1997 e 1998), uma dissidência da Fórmula Indy, e correu em cinco temporadas na F1, a última delas em 1999, pela equipe Williams.
Ao retornar para a Cart, em 2001, o italiano sofreu um grave acidente no circuito oval de Lausitz, na Alemanha, e teve as duas pernas amputadas, mas nunca desistiu das corridas. Após uma longa recuperação, disputou o WTCC, campeonato mundial de carros de turismo, e obteve três vitórias.
Porém foi no paraciclismo onde ele se encontrou. Começando a competir em 2007, Zanardi logo passou a colecionar pódios, alcançando três medalhas paralímpicas nos Jogos de Londres, em 2012, sendo duas de ouro e uma de prata.
Quatro anos depois, o italiano conquistou mais três medalhas nas Paralimpíadas do Rio de Janeiro, novamente duas de ouro e uma de prata. Em 19 de junho de 2020, no entanto, sofreu um grave acidente durante um evento de paraciclismo em Siena, na Itália, ao perder o controle de sua handbike e se chocar contra um caminhão que trafegava no sentido oposto.
A partir de então, o italiano passou por diversas cirurgias e nunca mais apareceu em público até sua morte.