Em meio a guerra, Irã não participará da 61ª Bienal de Arte de Veneza
Está confirmada a participação de 100 países, incluindo Rússia e Israel
O Irã não participará da 61ª Bienal de Arte de Veneza, confirmou nesta segunda-feira (4) a organização do evento, após receber um comunicado da delegação de Teerã informando que seu pavilhão não poderá ser montado.
O país persa havia expressado interesse na mostra ainda em fevereiro, dias antes do início da guerra em seu território, no dia 28 daquele mês.
Com a saída do Irã, a lista oficial de participantes conta com 100 delegações nacionais, incluindo Tanzânia e Seychelles, confirmadas em 4 de março.
A 61ª edição também contará com artistas russos e israelenses, que se tornaram motivo de polêmica com a Bienal de Veneza.
Tanto o governo italiano quanto a União Europeia se posicionaram contra a participação de Moscou no evento devido à guerra na Ucrânia, e Bruxelas ameaçou inclusive suspender um apoio financeiro à exposição.
O júri internacional da Bienal de Arte, presidido pela brasileira Solange Farkas, chegou a excluir da premiação representantes de países cujos líderes são alvos de mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), como Rússia e Israel, porém renunciou ao cargo cerca de uma semana depois.
Assim, no último 30 de abril, a organização anunciou a criação de novos prêmios, os "Leões dos Visitantes", para substituir neste ano o Leão de Ouro e os Leões de Prata, cujos vencedores são designados pelo júri.
Os troféus serão entregues ao melhor artista participante da 61ª edição e à melhor participação nacional no evento, mas apenas no encerramento, em 22 de novembro, a partir do voto popular. A segunda categoria abrangerá "todas as delegações nacionais presentes".
Intitulada "In Minor Keys by Koyo Kouoh", a 61ª Bienal de Arte de Veneza terá início no sábado (9) e seguirá até 22 de novembro, "sem excluir nenhum pavilhão".
"Estamos aqui imersos em uma realidade social vibrante, para nos nutrir com a arte, porque a arte tem um poder ainda maior do que qualquer arrogância", declarou hoje o presidente da Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, acrescentando que "a arte nos destina ao futuro e nos dá a capacidade de apagar catástrofes".
Já o prefeito veneziano, Luigi Brugnaro, lembrou que "as maiores bienais acompanharam as atualidades do mundo". "Se não houvesse polêmica, conflito ou ideias diferentes, a cultura não seria cultura, e a Bienal não seria a Bienal", salientou.