INTERROGATÓRIO

Ativistas interceptados rumo a Gaza chegam a Israel para interrogatório

Saif Abu Keshek e Thiago Ávila foram detidos pelas autoridades de Tel Aviv

Por Redação ANSA Publicado em 02/05/2026 às 19:57
Saif Abu Keshek e Thiago Ávila foram detidos pelas autoridades de Tel Aviv ANSA

O Ministério das Relações Exteriores de Israel informou que os ativistas Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, interceptados quando se dirigiam com a Flotilha Global Sumud rumo à Faixa de Gaza, chegaram ao país para serem interrogados pelas autoridades.

Em nota, a chancelaria israelense acusou o brasileiro e o espanhol-palestino de terem vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização sediada em Istambul, na Turquia, que Tel Aviv considera um braço operacional e financeiro do Hamas.

"Saif Abu Keshek, um dos principais membros do PCPA, e Thiago Ávila, que atua na organização e é suspeito de atividades ilegais, chegaram a Israel. Eles serão transferidos para interrogatório pelas autoridades policiais. Ambos receberão visita consular de representantes de seus respectivos países", informou o governo israelense.

Em um protesto realizado em frente ao edifício da Farnesina, uma das porta-vozes da Flotilha Global Sumud, Maria Elena Delia, afirmou que os ativistas "estavam a bordo de uma embarcação italiana", o que, segundo normas marítimas, indicaria que a dupla "foi levada ilegalmente de Roma".

"Exigimos a libertação deles: trata-se de uma questão legal. Se permitirmos que sejam sequestrados em águas internacionais a partir de uma embarcação com bandeira italiana, isso representa mais uma escalada de uma violação sistemática e impune do direito internacional", declarou.

A equipe jurídica da Flotilha Global Sumud entrou com um recurso urgente no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos contra o Estado italiano em nome de Ávila e Keshek, "atualmente detidos arbitrariamente pelas autoridades israelenses, em estado de incomunicabilidade, sem acesso a advogados, familiares ou autoridades consulares".

"A Itália exercia jurisdição sobre os indivíduos a bordo e, portanto, era obrigada a tomar todas as medidas necessárias para prevenir violações previsíveis de direitos fundamentais. Embora tenha sido prontamente informada do risco concreto e iminente à vida e à integridade física dos ativistas, nenhuma medida de proteção eficaz foi adotada", concluiu a defesa.