TRAGÉDIA

Itália recorda 17 anos de terremoto com mais de 300 mortos

Tragédia na cidade de L'Aquila, no centro do país, ocorreu em 6 de abril de 2009

Por Redação ANSA Publicado em 06/04/2026 às 15:48
Autoridades prestaram homenagem às vítimas de terremoto ANSA

Itália recordou nesta segunda-feira (6) o aniversário de 17 anos do terremoto que devastou a cidade de L'Aquila, capital de Abruzzo, na região central do país, e matou 309 pessoas.

O abalo sísmico ocorreu no dia 6 de abril de 2009, com magnitude 6.3 na escala Richter, e também deixou 1,6 mil feridos e dezenas de milhares de desabrigados.

Passadas quase duas décadas, o município, com cerca de 70 mil habitantes, ainda não foi totalmente reconstruído.

As cerimônias de homenagem começaram na noite de Páscoa, marcadas por um clima de silêncio e reflexão. Um feixe de luz azul iluminou o Palazzo Margherita, sede da prefeitura, enquanto o o Palazzo dell'Emiciclo permaneceu em silêncio até a execução da canção "Sarabanda", de George Frideric Handel, interpretada pelo quarteto de cordas Solisti Aquilani.

Sem a tradicional procissão com tochas neste ano, os moradores se reuniram diante de uma tela com os nomes das vítimas, impressos em vermelho.

A leitura, iniciada pela frase "E eles não estão mais aqui", marcou o momento mais comovente da cerimônia. Em seguida, a homenagem seguiu até o Parco della Memoria, onde 450 flores brancas foram depositadas na fonte monumental.

Familiares das vítimas fizeram apelos para que as novas gerações se tornem "sentinelas da memória", mantendo viva a lembrança da tragédia.

Autoridades italianas também se manifestaram. A primeira-ministra Giorgia Meloni destacou que o desastre "devastou vidas, comunidades e hábitos", ressaltando que lembrar significa "continuar presente com seriedade e responsabilidade".

Já o presidente do Senado, Ignazio La Russa, enfatizou a importância da prevenção e da solidariedade nacional, enquanto o líder da Câmara, Lorenzo Fontana, afirmou que a memória da tragédia permanece como um alerta constante para o futuro.

Outras autoridades da Itália, como os ministros Antonio Tajani (Relações Exteriores), Guido Crosetto (Defesa), Matteo Piantedosi (Interior) e Adolfo Urso (Empresas) também expressaram condolências, classificando o episódio como "uma cicatriz indelével".

Ao longo da manhã desta segunda-feira (6), homenagens também foram realizadas em locais simbólicos, como a Casa dos Estudantes, um dos pontos mais atingidos.

O prefeito de L'Aquila, Pierluigi Biondi, afirmou que a tragédia permanece como uma ferida aberta, mas reforçou a necessidade de construir uma cidade "segura e inclusiva": "É uma ferida que não cicatrizará, mas isso não nos impede de viver plenamente o presente e imaginar o futuro".

Por sua vez, o governador da região de Abruzzo, Marco Marsilio, reforçou a mesma mensagem.

As cerimônias incluíram ainda um momento de reflexão na Basílica de Santa Maria di Collemaggio, com participação do Coro da Capela Sistina e direção artística de Leonardo De Amicis. A vila de Onna, que perdeu 40 moradores no desastre, também realizou atos de memória.

No âmbito institucional, a data integra um quadro mais amplo de regulamentações e extensões para a gestão de emergências e a reconstrução pós-terremoto. Um comunicado da Câmara dos Deputados, atualizado em fevereiro de 2026, prevê a prorrogação do estado de emergência e do regime de gestão extraordinária até 31 de dezembro de 2026, além de medidas voltadas à reconstrução pública e privada nas áreas afetadas.