SETOR ENERGÉTICO

Catar invoca 'força maior' em contratos de GNL para Itália e mais 3 países

Medida isenta o país de cumprir suas obrigações de fornecimento

Por Redação ANSA Publicado em 24/03/2026 às 16:06
Vista aérea da planta de GNL de Ras Laffan, no Catar © ANSA/EPA

A QatarEnergy, estatal de energia do Catar, invocou nesta terça-feira (24) a cláusula de força maior em alguns de seus contratos de longo prazo para o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) para Itália, Bélgica, Coreia do Sul e China, em decorrência dos ataques iranianos contra suas instalações.

"Os danos sofridos pelas instalações de GNL levarão de três a cinco anos para ser reparados", afirmou Saad Sherida Al-Kaabi, ministro da Energia do Catar e presidente e CEO da QatarEnergy.

"O impacto se estende à China, Coreia do Sul, Itália e Bélgica. Isso significa que seremos obrigados a declarar força maior por até cinco anos em alguns contratos de longo prazo de GNL", acrescentou.

Dessa forma, a QatarEnergy ficará isenta de cumprir suas obrigações contratuais, o que pode prejudicar o fornecimento aos países afetados. Desde o início da invasão russa à Ucrânia, em 2022, a Itália vem fortalecendo as parcerias com nações do Oriente Médio, incluindo o Catar, para reduzir sua dependência energética em relação a Moscou.

O emirado, no entanto, se tornou um dos alvos preferenciais das represálias do Irã por conta da guerra lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, já que abriga instalações militares americanas usadas para ataques.

Segundo o governo catariano, os danos provocados por bombardeios à planta de Ras Laffan, a principal usina de GNL no mundo, devem comprometer 17% da capacidade de exportação do país no setor pelos próximos cinco anos.