CRISE NA VENEZUELA

Vaticano tentou intervir junto aos EUA para garantir asilo a Maduro

Secretário de Estado Pietro Parolin buscou intermediar 'porta de saída'

Por Redação ANSA Publicado em 10/01/2026 às 21:34
O secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin © ANSA/AFP

O Vaticano tentou intervir para garantir asilo ao então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, dias antes da operação militar dos Estados Unidos que capturou o líder chavista e sua esposa, Cilia Flores.

Na véspera de Natal, o secretário de Estado do Vaticano, o cardeal italiano Pietro Parolin, número 2 na hierarquia da Cúria Romana, convocou com urgência o embaixador americano na Santa Sé, Brian Burch, para pedir esclarecimentos sobre os planos dos EUA para a Venezuela, de acordo com o jornal The Washington Post.

Embora reconhecendo que Maduro deveria deixar o poder, Parolin exortou Washington a oferecer uma "porta de saída" para o então presidente, explicando a Burch que a Rússia estava pronta para garantir asilo e pedindo paciência para os Estados Unidos.

Parolin, que foi núncio apostólico na Venezuela entre 2009 e 2013, também tentou entrar em contato com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para evitar o risco de um derramamento de sangue em Caracas.

Questionado pelo Washington Post, o Vaticano limitou-se a responder que é "decepcionante ver a divulgação de partes de uma conversa confidencial que não refletem com precisão seu conteúdo".

Maduro e Flores foram capturados pelos EUA enquanto dormiam no palácio presidencial em Caracas, na madrugada de 3 de janeiro, e levados para um presídio de segurança máxima em Nova York, onde aguardam julgamento por supostos crimes ligados ao narcotráfico. Ambos alegaram inocência diante de um juiz federal de Manhattan no início da semana.