Trump barateia canetas emagrecedoras nos EUA e reacende debate: Por que o Brasil não adota medidas semelhantes?
Iniciativa reduz preços de medicamentos contra obesidade e reforça que a doença deve ser tratada como política pública de saúde, não como questão estética
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um plano que promete reduzir de forma expressiva o preço dos medicamentos usados para o tratamento da obesidade — popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e similares. A iniciativa envolve acordos com grandes farmacêuticas e a criação de um modelo de compra direta, com objetivo de democratizar o acesso aos tratamentos e aliviar o custo para a população.
Na prática, os valores mensais, que hoje ultrapassam facilmente a faixa de mil dólares no mercado americano, poderão cair para patamares próximos de US$ 300 a US$ 350, além da possibilidade de inclusão desses medicamentos em programas públicos de saúde, como Medicare e Medicaid, com coparticipações ainda menores.
O plano tem uma mensagem clara: a obesidade é uma doença crônica, com impactos diretos sobre o sistema de saúde, produtividade e qualidade de vida — e deve ser enfrentada com políticas públicas estruturadas.
Obesidade: um problema global — e brasileiro
O debate ganha especial relevância para o Brasil. O país figura entre os que apresentam crescimento acelerado nos índices de sobrepeso e obesidade, atingindo crianças, jovens e adultos. Doenças associadas — como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e articulares — pressionam o SUS e ampliam os custos do sistema público de saúde.
Apesar disso, o tratamento da obesidade ainda é frequentemente tratado como um tema estético ou individual, quando, na realidade, trata-se de um problema coletivo de saúde pública, que exige prevenção, acompanhamento médico, acesso a medicamentos, educação alimentar e políticas integradas.
Medicamentos modernos, como as canetas emagrecedoras, têm demonstrado bons resultados clínicos, mas o custo elevado no Brasil torna o acesso restrito a uma pequena parcela da população, criando uma desigualdade terapêutica evidente.
Por que o Brasil não segue o mesmo caminho?
A iniciativa americana reacende uma pergunta inevitável:
Por que o Brasil não adota políticas semelhantes para reduzir o preço desses medicamentos e ampliar o acesso pelo SUS ou por programas subsidiados?
Se o combate à obesidade for tratado apenas como escolha individual, o problema continuará crescendo. Mas, se for encarado como estratégia de saúde pública, o país poderá reduzir, no médio e longo prazo: gastos hospitalares;
internações por doenças crônicas;
afastamentos do trabalho;
mortalidade precoce;
sobrecarga no sistema de saúde.
Investir em prevenção e tratamento custa menos do que arcar com as consequências da doença instalada.
Saúde pública, não estética
O discurso que associa emagrecimento apenas à aparência ignora o impacto clínico da obesidade. O que está em jogo não é padrão estético, mas qualidade de vida, longevidade e sustentabilidade do sistema de saúde.
A política anunciada por Trump mostra que é possível enfrentar interesses econômicos, negociar preços e priorizar o cidadão. O Brasil precisa amadurecer esse debate e decidir se continuará tratando a obesidade como um problema secundário — ou se assumirá, de vez, que se trata de uma emergência sanitária silenciosa.