CONTRA O IMPERIALISMO

Protestos internacionais se intensificam contra ações dos EUA e pedem libertação de Nicolás Maduro

Por Redação Publicado em 08/01/2026 às 17:41

Manifestações em defesa do presidente Nicolás Maduro e de repúdio às ações do governo dos Estados Unidos se espalham por diferentes países, em reação ao que movimentos sociais e organizações políticas classificam como ingerência externa e violação da soberania da Venezuela. Os atos cresceram após a escalada de tensão iniciada no sábado (3), atribuída a uma operação militar norte-americana em território venezuelano.

Na Venezuela, as mobilizações se multiplicam. Em Anaco, no estado de Anzoátegui, uma grande marcha revolucionária tomou as ruas na quarta-feira (7), com milhares de pessoas exigindo a libertação de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Sob o lema “Anzoátegui na rua com Nicolás e Cilia”, o ato percorreu a cidade da Rua Liberdade até a quadra 23 de Janeiro. Lideranças locais afirmaram que o presidente foi alvo por “defender o povo nos momentos difíceis” e o classificaram como “prisioneiro de guerra do imperialismo”. Autoridades municipais e dirigentes partidários destacaram a mobilização popular-militar-policial em apoio à presidente interina Delcy Rodríguez.

A reação também alcançou os Estados Unidos. Em Nova York, manifestantes se concentraram em áreas centrais para denunciar o que chamam de “sequestro” do presidente venezuelano e protestar contra o então presidente Donald Trump. Os atos reforçaram críticas à política externa norte-americana e alertaram para o risco de ampliação do conflito regional.

No Brasil, uma onda de indignação tomou conta das principais capitais na segunda-feira (5). Em São Paulo, movimentos populares realizaram protesto em frente ao Consulado dos EUA, na zona sul, contra o ataque militar em território venezuelano — que, segundo os organizadores, teria deixado mais de 40 mortos. Convocado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o ato teve queima da bandeira norte-americana e palavras de ordem contra intervenções estrangeiras. O dirigente Gilmar Mauro afirmou que o movimento enviará cerca de 100 militantes à Venezuela em sinal de solidariedade.

Além de São Paulo, houve mobilizações no Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis, Brasília, Belo Horizonte, São Luís e Aracaju. Em Porto Alegre, houve repressão policial e duas pessoas foram presas, segundo relatos dos organizadores.

A crise também repercutiu no campo da liberdade de imprensa. Dezenas de jornalistas de diferentes veículos que cobriam a área militar devolveram suas credenciais e deixaram o Pentágono, em protesto contra novas restrições impostas pelo governo Trump ao trabalho jornalístico. Entre as regras, estaria a **expulsão de profissionais que publicassem informações — classificadas ou não — sem aprovação prévia do secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth. As entidades de imprensa classificaram as medidas como censura e ataque direto à liberdade de informar.

Com protestos crescentes, prisões em manifestações, denúncias de censura à imprensa e atos massivos de solidariedade internacional, o episódio amplia o debate global sobre soberania nacional, direito internacional e limites da política externa, colocando a Venezuela no centro de uma crise com repercussões que ultrapassam fronteiras.