Guterres diz que EUA desrespeitaram direito internacional na Venezuela
Secretário da ONU está 'preocupado' com possível escalada
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, criticou nesta segunda-feira (5) a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela no sábado (3), destacando que as regras do direito internacional foram "desrespeitadas".
"Estou profundamente preocupado com o fato de as normas do direito internacional não terem sido respeitadas na ação militar de 3 de janeiro" em Caracas, afirmou Guterres sobre a ofensiva que culminou na captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e na de sua esposa, Cilia Flores.
A declaração do secretário-geral foi proferida em seu nome pela chefe de Assuntos Políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, durante reunião do Conselho de Segurança.
Na mensagem, Guterres também lembrou que "a Carta da ONU proíbe a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado".
"O Estado de Direito deve prevalecer", reforçou o chefe das Nações Unidas no discurso.
Outra preocupação de Guterres anunciada por DiCarlo é a "possibilidade de intensificação da instabilidade na Venezuela, o impacto [da operação militar americana] na região e o precedente que isso poderia criar para as relações entre os Estados".
"Tenho enfatizado o imperativo do pleno respeito de todos ao direito internacional, incluindo a Carta da ONU, que é o fundamento para a manutenção da paz e da segurança internacionais", continuou Guterres, reiterando que "a situação é crítica, mas ainda é possível evitar uma conflagração mais ampla e destrutiva".
Convido "todos os atores venezuelanos a se engajarem em um diálogo inclusivo e democrático no qual todos os setores da sociedade possam determinar seu próprio futuro", disse o secretário-geral das Nações Unidas.
Para Guterres, "o direito internacional fornece as ferramentas para lidar com questões como o tráfico ilícito de drogas, as disputas por recursos naturais e as violações dos direitos humanos".
"Este é o caminho que devemos seguir", concluiu.