Senadores dos EUA demandam de Marco Rubio compromisso com eleições brasileiras
Carta expressa preocupações sobre a interferência do governo norte-americano nas eleições no Brasil.
Senadores democratas dos EUA enviaram ao secretário de Estado Marco Rubio uma carta expressando preocupação com ações do governo norte-americano em relação ao Brasil em meio ao período eleitoral, e pediram garantias de que Donald Trump reconhecerá o resultado das urnas.
No documento, os senadores Jeanne Shaheen, Peter Welch e Tim Kaine questionam como o Departamento de Estado coordenará seus objetivos de democracia e direitos humanos no que diz respeito à assistência técnica e ao monitoramento dos processos eleitorais e se o governo dos Estados Unidos reconhecerá o resultado das eleições no Brasil.
"O governo se compromete a reconhecer o resultado certificado das eleições democráticas de 2026 no Brasil e a apoiar relações diplomáticas normais com o candidato que seja livre e justamente escolhido pelo povo brasileiro?", questionam.
Ao fundamentar as perguntas, os congressistas expressaram preocupações com a forma como as relações entre Estados Unidos e Brasil têm caminhado. Na carta, argumentam explicitamente que autoridades norte-americanas participaram de uma "campanha de interferência e desestabilização no Brasil".
Os relatos recordam os esforços do governo Trump ao impor tarifas e sanções ao Brasil na tentativa de influenciar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar um golpe de Estado.
Além disso, os senadores elencam a escolha de Darren Beattie como assessor sênior para assuntos do Brasil no Departamento de Estado. "Beattie, conhecido extremista de extrema-direita e supremacista branco, assumiu o cargo com um histórico de declarações públicas que sinalizam um compromisso ideológico explícito de minar as instituições democráticas do Brasil e promover os interesses da extrema-direita brasileira", ponderaram.
Ainda, os congressistas apontam para a reunião do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro com o presidente Trump no Salão Oval, realizada enquanto o político brasileiro tentava mitigar um escândalo político doméstico, que "evidencia a disposição do governo de se inserir na eleição".
"As ações mais recentes do governo [dos EUA] apontam para um esforço de interferir na eleição geral do Brasil, em outubro, e potencialmente miná-la", acrescentam.
Ao reforçar o pedido de reconhecimento do resultado do pleito no Brasil e ao pedido de não repetição de ações que "refletem um padrão mais amplo e profundamente preocupante de interferência do governo Trump em processos eleitorais recentes na América Latina, como se viu nas eleições de meio de mandato da Argentina e nas eleições presidenciais de Honduras e da Colômbia", os senadores reforçaram a posição norte-americana em reconhecer o resultado das urnas no Brasil em 2022 de forma imediata e repudiar, em 2023, o ataque aos Três Poderes realizado por militantes bolsonaristas contrários ao resultado das eleições.