ECONOMIA

Petóleo encerra dia em baixa com aumento nas exportações no Oriente Médio

Retomada dos fluxos petrolíferos influencia os preços, apesar da incerteza política na região.

Por Estadao Conteudo Publicado em 29/09/2026 às 16:37
Petóleo encerra dia em baixa com aumento nas exportações no Oriente Médio © ANSA/AFP

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta terça-feira, 29, com o mercado se ajustando diante de sinais de retomada das exportações pelo oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e a recuperação de embarques no Golfo, embora ainda não haja perspectiva para um acordo entre EUA e Irã para o fim da guerra no Oriente Médio. Dados da Kpler indicam que os envios de petróleo na região chegaram em setembro a 80% dos níveis anteriores à guerra.

Negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o petróleo Brent para dezembro fechou em queda de 1,71% (US$ 1,67), a US$ 96,16 o barril.

Já o petróleo WTI para novembro caiu 3,48% (US$ 3,22), a US$ 89,38 o barril, na Nymex.

O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Iêmen, Hans Grundberg, afirmou que se reuniu com negociadores dos Houthis durante o fim de semana em um esforço para evitar uma nova escalada de violência no país, em meio a combates intensos na costa oeste entre os rebeldes apoiados pelo Irã e as forças governamentais, que contam com o apoio da Arábia Saudita.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que o Irã precisa mudar de comportamento para que seja possível avançar em algum tipo de acordo com Washington.

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a dizer que o Irã está "indo muito mal", que a guerra vai acabar em breve e que os preços do petróleo vão despencar. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) instou os americanos a irem às ruas e protestarem contra Trump, alegando que a guerra instaurada por Washington no Oriente Médio fracassou.

Em entrevista ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o estrategista global de commodities do Citi, Eric Lee, destacou que a pressão dos eleitores americanos contra a inflação e os altos custos de energia incentiva negociações que podem normalizar os fluxos regionais de petróleo. Esse cenário sustenta as projeções de alívio nos preços neste ano e de continuidade da trajetória de baixa em 2027. Com isso, o banco mantém o cenário base de o Brent voltar para abaixo de US$ 70, com média em torno de US$ 65, à medida que 2027 avança.

Segundo a Reuters, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que os países-membros da agência poderão discutir se mais reservas estratégicas de petróleo deverão ser liberadas no mercado futuramente, em reunião nesta terça-feira. "Estamos acompanhando os mercados muito de perto, especialmente os mercados de derivados, como o diesel e outros. Se houver necessidade, discutiremos a adoção das medidas necessárias", disse.