Gilmar Mendes propõe ações para conter fraudes em precatórios
Ministro do STF solicita medidas urgentes aos presidentes do STF e STJ após investigações sobre o Banco Master.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrou os presidentes do STF, Edson Fachin, e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, para que adotem medidas para coibir irregularidades na expedição de precatórios.
No ofício enviado nesta terça-feira, 29, Gilmar afirmou que as investigações sobre o Banco Master "revelaram um modelo de negócios parasitário, que drenava recursos públicos e a poupança de milhares de investidores".
"Créditos judiciais contra a União eram adquiridos com grande desconto, contabilizados por valores muito superiores e usados como lastro para captar recursos no mercado", apontou Gilmar.
O decano do Supremo sugeriu que a Corregedoria Nacional de Justiça realize uma correição extraordinária em todos os tribunais regionais federais, sobretudo no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e em casos relacionados ao setor sucroalcooleiro e à revisão da tabela do SUS, para rastrear irregularidades em precatórios.
Para o ministro, é fundamental "pôr fim, de uma vez por todas", à expedição antecipada de precatórios. "Creio que o primeiro passo deva ser sustar todas as decisões que determinaram indevidamente a expedição de precatório antes do trânsito em julgado", afirmou.
Gilmar também cobrou o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para apurarem como os créditos de precatórios "foram parar em fundos de investimento e nos balanços de bancos".
Por fim, o ministro destacou que o envolvimento de magistrados e advogados nas irregularidades exige a abertura de investigações. "Impõe-se uma resposta coordenada das instituições, à altura da gravidade dos fatos revelados", pontuou.
A compra de precatórios por uma fração do preço original era uma estratégia utilizada pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, para inflar artificialmente os balanços do banco. O banco adquiria esses papéis por 10% a 20% do valor da dívida e os contabilizava com valores bilionários.
Conforme relatado pelo Estadão, o Master tinha pelo menos R$ 16 bilhões em precatórios e pré-precatórios, sendo R$ 10 bilhões referentes a títulos do setor sucroalcooleiro.
Relação de ministros
O desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do TRF-1, proferiu ao menos dois votos favoráveis aos interesses do Banco Master em um processo envolvendo a Usina Cansanção de Sinimbu, em Jequiá da Praia, Alagoas.
Em recuperação judicial, a empresa busca definir o valor da indenização devida pela União por supostos prejuízos causados pela política de preços do setor sucroalcooleiro. O Master atuou no processo em conjunto com a usina.
Newton é amigo do ministro do STF Kássio Nunes Marques, que fez carreira como desembargador no TRF-1.